Presidente alega que companhia tem perdido receita com falta de água em mananciais; índice de reajuste não foi revelado

Kelman (ao centro), presidente da Sabesp, com o governador Geraldo Alckmin (à esquerda)
Divulgação/Sabesp
Kelman (ao centro), presidente da Sabesp, com o governador Geraldo Alckmin (à esquerda)

Três meses após o último aumento, de 6,5%, a  Sabesp pediu nesta sexta-feira (6) à agência reguladora dos serviços de saneamento de São Paulo para revisar os valores das tarifas cobradas dos usuários. O índice não foi informado pela companhia, mas há espaço para que seja superior à inflação.

Por regra, a Sabesp poderia fazer um reajuste em abril para compensar a inflação desde o último aumento, num cálculo que também leva em conta a eficiência e qualidade dos serviços. Entretanto, a companhia decidiu solicitar uma "revisão extraordinária".

Leia também:

- Falta d'água em região pobre é culpa do cliente, segundo documento da Sabesp

- Com falta d'água, clientes da Sabesp dizem pagar por ar; técnico confirma risco
- Sabesp corta água em SP e não só reduz pressão, denunciam técnicos da empresa

As revisões extraordinárias podem ser utilizadas quando ocorre algo fora do controle da empresa que cause um desequilíbrio econômico-financeiro, segundo norma da Arsesp, a agência reguladora. O trecho que trata desse ferramenta não impõe qualquer limite ao reajuste.

Questionado, em 25 de fevereiro, sobre se o aumento ficaria acima da inflação, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, desconversou.

"Nós não temos cálculos feitos ainda e estamos apenas no início de conversas que são normais entre agente regulado [ Sabesp ] e regulador [ Arsesp ]", afirmou.

O iG perguntou à Sabesp neste domingo (8) qual foi o índice de reajuste pedido à Arsesp, mas a companhia informou que apenas a Arsesp poderia se manifestar. A reportagem não conseguiu contato com a agência reguladora.

Falta d'água prejudica finanças, diz presidente

Kelman argumentou na ocasião que a Sabesp estava "por razões óbvias vendendo muito menos água do que a população gostaria de consumir" porque "não tem água nos mananciais da cidade".

"Se fosse mantida essa situação, dificultaria a condição da Sabesp de fazer obras emergenciais para trazer água para enfrentar o perído seco que vai de abril até outubro", afirmou o presidente da Sabesp na ocasião.

De janeiro a setembro de 2014, o lucro líquido da Sabesp foi de R$ 872 milhões, 35% menor que o R$ 1,3 bilhão registrado no ano anterior. A receita operacional bruta caiu 2,6%, puxado por uma queda de 4,6% do volume de água faturado, e de 2% no de esgoto.

Além de vender menos água, a Sabesp tem concedido descontos de 10% a 30% aos consumidores que reduzem o gasto de água e, por outro lado, punido os gastões com sobretaxas de 40% a 100%. Segundo dados preliminares, em fevereiro 19% dos clientes da companhia aumentaram o consumo (12% a ponto de serem penalizados) e 88% diminuíram.

Entre janeiro e setembro de 2014, o bônus causou um impacto de R$ 127 milhões nas contas da companhia.

O último aumento de tarifa da Sabesp, de 6,5%, ocorreu em dezembro de 2014. O reajuste poderia ter sido aplicado em maio daquele ano, com percentual de 5,44%, mas a companhia adiou a implementação, com aval da Arsesp.

A Sabesp é controlada pelo governo Alckmin (PSDB) , que disputou e venceu a eleição em outubro de 2014.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.