Para instituto alemão, racionamento é inevitável no Sudeste brasileiro

Por BBC - |

compartilhe

Tamanho do texto

Escassez vai piorar e fornecimento de água potável para população e indústrias não pode ser garantido, segundo estudo

BBC

Uma análise do mais renomado instituto de meteorologia da Alemanha traça um cenário preocupante para a seca no Sudeste brasileiro.

Segundo os especialistas, a tendência é a escassez de água piorar ainda mais na região - e o racionamento deverá ser inevitável.

Leia também:

- Justiça limita retirada de água do sistema Cantareira

- Escassez de água pode atingir 55% dos municípios em 2015, diz ANA

- Prédios com torneiras secas veem água jorrar para a sarjeta em SP

Uma análise do Deutscher Wetterdienst (DWD) de Frankfurt diz não haver expectativa de melhora a curto prazo para escassez de água no Sudeste.

Publicado nesta semana, o estudo afirma que chuvas escassas e uma forte evaporação por causa do clima mais quente que o normal resultarão em mais uma aguda seca em várias localidades nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espirito Santo nos próximos meses.

"O fornecimento de água potável para a população, assim como de água para fins industriais, não pode ser garantido", avisam os autores da análise, os meteorologistas Markus Ziese e Andreas Becker

Vaca caminha pela Represa Jacareí, no dia 29 de janeiro: normalmente ali teria água. Foto: Futura PressSituação calamitosa da Represa Jacareí, parte do Sistema Cantareira, no dia 29 de janeiro. Foto: Futura PressCarro no meio na Atibainha devido ao baixo nível da represa: cenário desolador. Foto: Futura PressPedalinhos inutilizados na Represa Atibainha, parte do Cantareira, em janeiro. Foto: Futura PressRepresa Atibainha, em janeiro de 2015. Foto: Futura PressLixo surge na Represa de Atibainha, em janeiro. Foto: Futura PressEm protesto contra a falta de água, governador Geraldo Alckmin é ironizado por manifestantes (26/01/2015). Foto: AP PhotoEm São Paulo, moradores organizaram uma passeata contra a falta de água. Foto: AP PhotoMoradores protestam contra a falta de água em São Paulo (26/01/2015). Foto: AP PhotoProtesto 'Banho Coletivo na casa do Alckmin', na manhã desta segunda-feira (23), em frente ao Palácio dos Bandeirantes. Foto: Futura PressFalta de água em São Paulo se agrava e motiva protestos . Foto: AP PhotoRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em setembro; veja mais imagens da situação dos reservatórios do Sistema Cantareira. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura PressSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia Stavis

Déficit
Eles dizem que o crescente déficit de chuva não será compensado nem se o índice pluviométrico voltar ao normal no mês de março.

Segundo dados do Centro Mundial de Climatologia da Chuva, que faz parte do DWD, só os meses de dezembro de 2013, novembro de 2014 e fevereiro de 2015 tiveram quantidades de chuvas normais na região sudeste do Brasil.

Veja: Situação atual dos reservatórios da Grande São Paulo

"O déficit de chuva vem crescendo continuamente desde o fim de dezembro", avisa a entidade, que é ligada à Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas.

O Deutscher Wetterdienst lembra ainda em sua análise que o Sudeste vem sendo bastante afetado por fenômenos climáticos como o El Niño, como é chamado o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o que provoca temperaturas atípicas na região.

No entanto, os analistas ressaltam que, mesmo sem esses fenômenos, o aquecimento global deverá afetar os reservatórios de água da região, causando uma forte evaporação.

Racionamento
"Medidas paliativas incluem o armazenamento mais eficiente de água e também o racionamento, que poderá ser moderado se for introduzido logo", aconselham os especialistas.

Eles dizem que o fato de o mês de novembro de 2014, no começo da estação chuvosa, ter apresentado níveis normais de pluviosidade, acabou "mascarando" a gravidade da seca.

Isso teria levado as autoridades brasileiras a adiar o racionamento, que poderia ter sido benéfico se tivesse sido instaurado na época.

Mas racionar água pode ser uma faca de dois gumes, dizem os meteorologistas alemães.

"A população deve ser informada para evitar o armazenamento impróprio de água, que pode torná-la insalubre."

Leia tudo sobre: crise hídricacrise da águasudeste

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas