Agência reguladora cobra esclarecimentos sobre corte de água pela Sabesp

Por Vitor Sorano - iG São Paulo |

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Companhia tem até semana que vem para prestar informações à Arsesp sobre a prática, revelada ao iG por dez funcionários

A Sabesp tem uma semana para esclarecer à agência reguladora dos serviços de saneamento paulista a denúcia de que tem cortado o abastecimento de água em São Paulo.

Um dos técnicos que revelaram a ocorrência de cortes no abastecimento de água em SP
Carolina Garcia/iG São Paulo
Um dos técnicos que revelaram a ocorrência de cortes no abastecimento de água em SP

A prática, revelada pelo iG na sexta-feira passada (6) a partir dos relatos de dez funcionários da companhia, é a mesma adotada em rodízios e racionamento, políticas que a companhia e o governo Geraldo Alckmin (PSBD) negam ter adotado (assista ao vídeo abaixo).

Na segunda-feira (9), a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) oficiou a Sabesp para pedir esclarecimentos a companhia, após o jornal "O Estado de São Paulo" também divulgar uma reportagem sobre cortes no sábado (7).

"A Arsesp tomou conhecimento das manobras feitas nas redes distribuidoras de água pela mídia (matéria publicada dia 07/02 pelo jornal "O Estado de São Paulo") e enviou para a Sabesp um ofício em que a prestadora de serviço deverá fornecer até o dia 19/02/2015 esclarecimentos sobre o ocorrido", informou a Arsesp, em nota.

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A realização de cortes de fornecimento sem comunicação prévia à Arsesp pode resultar em multa de 0,1% do faturamento líquido anual da empresa.

Segundo o iG apurou, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também investiga os cortes no abastecimento da população. Procurado, o órgão não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Companhia admite apenas redução da pressão
A Sabesp atribui a falta d'água percebida pela população a casos pontuais decorrentes da redução de pressão realizada para diminuir as perdas com vazamentos. Segundo a companhia, cerca de 44% da Região Metropolitana de São Paulo é coberta pelas Válvulas Redutoras de Pressão (VRPs), que são ativadas sobretudo à noite, quando o consumo é menor.

A redução de pressão, entretanto, não pode significar falta de água ao consumidor. Isso porque, por lei, as companhias de saneamento devem fornecer água a uma pressão mínima de 10 metros de coluna d'água (mca).

Se a válvula redutora de pressão for bem dimensionada, não é para ter falta d'água"

E a medição desse indicador pode ser feita no cavalete de abastecimento dos imóveis, diz Luciano Farias de Novaes, professor da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e responsável técnico pela instalação das VRPs no município de Marília, no interior paulista.

"Eu tenho uma norma para ser seguida: a pressão tem que variar de 10 mca a 50 mca. Menos do que 10 mca a água pode não chegar até a caixa d'água da casa das pessoas. Como o cavalete está normalmente ligado direto na tubulação, [reflete a] a pressão na tubulação. Se estiver abaixo de 10 mca, [o fornecimento] tem que ser readequado", afirma. "Se a VRP for bem dimensionada, e estiver adequada, não é para ter falta d'água."

À população, a Sabesp afirma que a redução de pressão tem resultado em falta d'água para "bem menos de 1%" da população", embora pesquisa Datafolha realizada entre 3 e 5 de fevereiro aponte que 71% dos moradores da capital relatem ter ficado sem água em algum período nos 30 dias anteriores ao levantamento.

A Sabesp argumenta, ainda, que o desabastecimento afeta geralmente quem mora em pontos elevados e não tem caixa d'água. A companhia não explica, porém, por que as pessoas estão ficando sem água no cavalete.

Procurada, a Sabesp não se manifestou até a conclusão desta reportagem.

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