Rodízio é próxima opção, mas não há decisão, diz secretário de Recursos Hídricos

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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A hipótese pode ser descartada se chover muito em fevereiro e março, afirmou Benedito Braga em evento na FecomercioSP

Secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga
Vitor Sorano
Secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga

O rodízio é a "próxima opção" à redução de pressão que já vem sendo feita para combater a crise da água em São Paulo, disse nesta sexta-feira (6) o secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga. A hipótese pode ser descartada se chover muito em fevereiro e março. A previsão é de que chova pouco.

Feita por meio de válvulas, a redução de pressão tem por objetivo reduzir as perdas por vazamentos na rede de água - 20% do volume produzido pela Sabesp, que atende a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), escapa dos canos. A medida é apresentada como a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) como a sua principal ferramenta para enfrentar a seca que afeta o Estado de São Paulo.

"Há limites no processo de redução de pressão, sem dúvida nenhuma. Numa situação em que a redução de pressão não for capaz, a próxima opção é o sistema de rodízio", disse Braga, que se descreve como contrário ao rodízio, durante evento na FecomercioSP. "Agora, se vai ser implementada amanhã ou depois, eu não sei, porque nós estamos estudando esse tema."

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Gerente da Sabesp, Marcelo Costa Sanches admitiu que a capacidade da redução de pressão como ferramenta para combater a crise hídrica está no fim.

"A redução de pressão foi muito eficiente, ela evitou uma situação mais caótica neste momento, agora ela tem um certo limite", disse Sanches. "Hoje nós estamos perto desse limite."

Braga argumentou que, se chover muito nos meses de fevereiro e março, o rodízio pode não ser aplicado. Os modelos matemáticos apresentados pelo secretário, entretanto, apontam para pouca precipitação até maio.

"Como eu mostrei aqui nós temos que estar preparados para uma situação muito difícil. Agora, eu também mostrei aqui que os modelos de clima às vezes erram. E se tiver um fevereiro muito chuvoso e um março muito chuvoso, para quê que eu vou implementar um sistema de rodízio para incomodar as pessoas se os reservatórios se recuperarem?"

O erro citado por Braga, entretanto, foi para cima, e não para baixo: um relatório de 2013 da Sabesp estimava que a chance de as chuvas ficarem na média ou acima da média era de 75%. Acabou chovendo 20% da média histórica no período.

"Se os nossos estudos nos levarem à conclusão que essa é a alternativa necessária para vencer o desafio, a população será avisada com a devida antecedência: onde é, como é, que horas é. Será dada total transparência a esse tema", disse Braga.

Companhia já corta água, denunciam funcionários

Reportagem do iG publicada nesta sexta-feira (6) mostra que, segundo dez funcionários da Sabesp ouvidos sob condição de anonimato, a empresa já vem realizando cortes típicos de políticas de rodízio e racionamento

A prática, que já estaria em vigor desde meados de 2014, intensificou-se a partir de outubro, segundo um dos funcionários ouvidos. "Na hora que a senhora fica sem água é a hora em que estamos fechando tudo", explicou técnico ao suspender abastecimento.

A companhia nega fazer rodízio ou racionamento, e Braga saiu sem comentar os cortes de água denunciados pelos funcionários da Sabesp.

Dificuldade financeira na Sabesp

Braga admitiu que a política de bônus para quem economiza água e de sobretaxa para quem gasta a mais tem colocado pressão sobre o faturamento da Sabesp - composto, basicamente, da venda de água à população e às indústrias -, e disse que será necessário reequilibrá-lo, indicando que isso passará por mudanças nas tarifas no futuro.

"Esses mecanismos [...] levaram a dificuldades de natureza financeira porque você está reduzindo a sua produção de água, a quantidade, e você está reduzindo o preço dessa quantidade que você vende. Quando você multiplica as duas coisas, a receita da companhia cai", disse o secretário.

Segundo Braga, faz parte da pauta do governo trabalhar "uma estrutura tarifária de natureza progressiva" que levará em conta as "questões de natureza social", a fim de que se encontre um equilíbrio para permitir a continuidade de prestação do serviço à população.

Estímulo a troca de sanitários

Durante o evento na FecomercioSP, Braga apresentou as propostas de curto, médio (até 2018) e longo prazo (horizonte 2050) para garantir o abastecimento de água em São Paulo. 

No curto prazo, a gestão Alckmin aposta numa "forte redução de consumo", por meio da redução de pressão, do sistema de bônus e sobretaxa para estimular a economia de água, da distribuição de economizadores de água para torneiras, e de esclarecimentos à população.

O governo também pretende estimular os moradores a trocarem os reservatórios dos vasos sanitários e outros equipamentos domésticos por modelos mais econômicos, segundo Braga. Para isso, está em estudo um programa de incentivos por meio da agência de desenvolvimento do governo paulista. 

O secretário defendeu ainda a individualização dos medidores nos condomínios - o que reduz o consumo em 30%, segundo o Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário) - e o combate à captação irregular de água por produtores rurais.

No médio prazo, estão previstas obras emergenciais para reforçar o sistema Alto Tietê (o segundo maior da Região Metropolitana, atrás do Sistema Cantareira) e o sistema Guarapiranga, além de tratamento de esgoto para abastecer o reservatório do Baixo Cotia. 

No longo prazo, as alternativas envolvem captação de águas dos rios Juquiá e Paranapanema.

Vaca caminha pela Represa Jacareí, no dia 29 de janeiro: normalmente ali teria água. Foto: Futura PressSituação calamitosa da Represa Jacareí, parte do Sistema Cantareira, no dia 29 de janeiro. Foto: Futura PressCarro no meio na Atibainha devido ao baixo nível da represa: cenário desolador. Foto: Futura PressPedalinhos inutilizados na Represa Atibainha, parte do Cantareira, em janeiro. Foto: Futura PressRepresa Atibainha, em janeiro de 2015. Foto: Futura PressLixo surge na Represa de Atibainha, em janeiro. Foto: Futura PressEm protesto contra a falta de água, governador Geraldo Alckmin é ironizado por manifestantes (26/01/2015). Foto: AP PhotoEm São Paulo, moradores organizaram uma passeata contra a falta de água. Foto: AP PhotoMoradores protestam contra a falta de água em São Paulo (26/01/2015). Foto: AP PhotoProtesto 'Banho Coletivo na casa do Alckmin', na manhã desta segunda-feira (23), em frente ao Palácio dos Bandeirantes. Foto: Futura PressFalta de água em São Paulo se agrava e motiva protestos . Foto: AP PhotoRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em setembro; veja mais imagens da situação dos reservatórios do Sistema Cantareira. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura PressSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia Stavis


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