Elas viviam na comunidade indígena de Campo Algre e beberam água contaminada. Falta de água potável afeta 17 mil pessoa

O prefeito Raimundo Nonato, de São Paulo de Olivença (AM), informou na manhã desta quarta-feira que três crianças morreram no município (a 988 km de Manaus) vítimas da seca. As crianças moravam em uma aldeia indígena Campo Alegre, a mais de 4h da sede do município. O motivo teria sido a ingestão de água não-potável. A falta de água potável atinge cerca de 17 mil pessoas no estado.

Conforme o prefeito, as crianças apresentaram um quadro grave de saúde com diarréia e desidratação e não resistiram. O iG também entrevistou também a coordenadora de atenção primária de saúde do município, a enfermeira Lecita Rodrigues Gomes, no caso específico destas crianças. O atendimento médico às crianças foi demorado porque primeiro procuraram a medicina indígena.

Água potável

Só depois os responsáveis pelas crianças na aldeia buscaram a assistência médica. “Nós já fizemos uma viagem por todas estas comunidades e aldeias informando para terem cuidado ao ingerir água ou qualquer outro tipo de alimento,” disse Lecita Gomes. A falta de água é o grande problema na cidade, principalmente na Zona Rural, onde vivem aproximadamente 17 mil pessoas.

Para tentar amenizar a situação, a Defesa Civil do Estadual enviou, neste mês, 24 toneladas de água, mas isso é insuficiente para atender a região. “O problema é amplo. A quantidade de água não hidrata os adultos nem as crianças. Sem falar que acesso a estes locais é muito complicado,” explicou Lecita.

Segundo o prefeito de São Paulo de Olivença, Raimundo Nonato, a dificuldade este ano enfrentada pelo município é a maior de todos os tempos. “Sempre sofremos com a estiagem, mas o problema superou nossas expectativas. A água é a principal dificuldade e já pedimos o envio de nossas remessas com urgência,” disse.

São Paulo de Olivença e outras 26 cidades do interior vão receber R$ 23 milhões. O recurso foi repassado pelo Ministério da Integração Nacional à Defesa Civil do Estado, para dividir com as regiões amazonenses afetadas pela estiagem.

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