Seca mata mais sete pessoas no Amazonas

Cinco crianças indígenas e dois adultos morreram em Atalaia do Norte; falta água potável para mil pessoas

Eduardo Asfora, iG Amazonas |

A seca continua fazendo novas vítimas no Amazonas. Desta vez, foi no município de Atalaia do Norte (a 1.138 km de Manaus), onde cinco crianças indígenas e dois adultos morreram no Vale do Javari, com desnutrição, sintomas de vômito, diarréia e doenças respiratórias, conforme informou nesta sexta-feira a prefeita Anete Peres.

Agora sobe para oito o número de crianças indígenas mortas em consequência da estiagem. As três primeiras beberam água contaminada na comunidade de Campo Algre (AM), localizada a mais de 4h do município de São Paulo de Olivença, a 988 km de Manaus.

Acesso difícil

Nas comunidades do município de Atalaia do Norte (AM) vivem aproximadamente seis mil pessoas. O acesso é difícil. Fica a 12, 15, até 20 dias de viagem de barco de linha. Esta é a única maneira de chegar às localidades, por isso o atendimento fica muito prejudicado. A suspensão do fornecimento dos cartões de combustível por parte da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) prejudicou a ida dos técnicos.

"O nosso chefe do Distrito de Saúde Indígena do Vale do Javari (DSEIS) está em Brasília, temos pessoal da administração em Manaus tentando resolver esta situação," disse o enfermeiro da área Gledson Ferreira Marques, que está a caminho do município para ajudar no atendimento às crianças e adultos. Crianças desnutridas. Os técnicos vão entregar também kits de ajuda humanitária. 

Crianças desnutridas

Segundo Marques, a área é precária, as crianças são muito desnutridas e a estiagem dos rios dificulta ainda mais o acesso. "Uma equipe nossa sofreu um acidente. Como está o rio seco e tem muita pedra e madeira, a embarcação afundou com todos os medicamentos e alimentos. Mas, vamos levar mais e fazer uma investigação detalhada sobre o porquê ocorrerem tantas mortes em um só local," acrescentou. 

Marques disse ainda que o estudo sobre a área é necessário, pois o problema é mais amplo e não se restringe apenas à época da estiagem dos rios. Para a prefeita Anete Peres, de Atalaia do Norte, a questão dos indígenas no município é a pior de todas.

"Nossa realidade é diferente. Temos que adequar, pois os locais são distantes e para chegar lá é bem complicado. Por isso, estamos contando com apoio da Defesa Civil do Estadual e vamos de helicóptero entregar os suprimentos e os remédios,” afirmou. Quase mil pessoas de 62 comunidades de Atalaia do Norte foram afetadas pela seca.

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