Na sexta, rio Negro estava sete centímetros abaixo do registrado na mesma data em 1963, ano da maior seca da história

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Na tarde de sexta-feira, o rio Negro, que banha Manaus, estava sete centímetros abaixo do registrado na mesma data em 1963, ano da maior seca da história. No dia 10 de setembro daquele ano, a cota do rio era de 20,33 metros e na sexta estava a 20,26 metros. Os dados são do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Na seca de 1963, o rio Negro atingiu em outubro, mês pico da estiagem, a marca de 13,64 metros.

Vista do município de Uarini, que está isolado em consequência da seca na bacia do Rio Solimões, no Amazonas (09/09/2010)
AE
Vista do município de Uarini, que está isolado em consequência da seca na bacia do Rio Solimões, no Amazonas (09/09/2010)
O cenário que já mudou o interior, com comunidades isoladas e barcos impedidos de atracar nos portos, começa a modificar também na capital. Há leitos de igarapés secos bem no meio de Manaus, como o Quarenta, que corta a capital. 

O rio Solimões, que banha a maior parte dos municípios do interior, está em nível ainda mais crítico. Na quinta-feira, o Solimões atingiu 32 centímetros negativos, ou seja, abaixo do zero da régua, medição menor do que o pico recorde registrado em 2005. O ano registrou a maior vazante do Solimões já aferida CPRM. Em 2005, no pico da estiagem verificado na primeira quinzena de outubro, a régua marcou dois centímetros positivos. 

Com o rio Negro a menos de cinco metros do nível crítico, a Capitania dos Portos já emitiu alertas. Segundo a assessoria da Capitania, na semana passada foram registrados dois encalhes de barcos regionais que estavam se dirigindo a Manaus. Barcos menores tiveram de transportar passageiros até o porto para retirar peso da embarcação, e esta pudesse atracar em segurança em porto da capital. 

O prefeito do município de Itamarati, que fica a 980 quilômetros de Manaus, João Campelo, também vice-presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM), afirmou que as plantações de vegetais e frutas de solo estão destruídas, com as de melancia e mandioca. "Como se não bastassem os problemas de agora, com populações isoladas com os igarapés de acesso seco, ainda há os (problemas) do futuro, que é como sobreviver sem a venda do que plantam", disse. Ainda não há estimativas os valores das perdas. 

Como todos os municípios do Amazonas dependem de energia de termelétricas, já há municípios também com estoque crítico de combustível. "As balsas que transportam combustível estão levando menos da metade para fugir do encalhe nos bancos de areia e pelo menos Itamarati, Tabatinga e Envira estão com combustível para no máximo 15 dias." 

Seis municípios do Amazonas já decretaram estado de emergência, todos na calha do Solimões e Juruá: Tabatinga, Benjamim Constant e Atalaia do Norte, na região do Solimões e Itamarati, Ipixuna e Guajará, na região do Juruá.

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