Seca de 2005 na Amazônia criou emissão gigante de CO2

Por Alister Doyle OSLO (Reuters) - A seca de 2005 na Amazônia matou árvores e liberou mais gases do efeito estufa do que as emissões anuais da Europa e do Japão, segundo um estudo divulgado na quinta-feira.

Reuters |

O relatório diz que as florestas tropicais da África e da América Latina podem acelerar o aquecimento global se o clima se tornar mais seco neste século. As plantas absorvem o dióxido de carbono quando crescem, e o liberam quando morrem e apodrecem.

"A Floresta Amazônica foi surpreendentemente sensível à seca", disse Oliver Phillips, professor de ecologia tropical da Universidade Leeds (Inglaterra), responsável pelo estudo, que envolveu 68 cientistas e foi publicado na revista Science.

Eles estimaram que a floresta tenha absorvido em média 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano desde a década de 1980, mas perdido 3 bilhões na seca de 2005, que matou árvores e retardou o crescimento das plantas.

"O impacto total foi de 5 bilhões de toneladas adicionais de dióxido de carbono na atmosfera. É mais do que as emissões anuais da Europa e do Japão combinadas", disse Phillips,

SAVANA

Paradoxalmente, o acúmulo na floresta antes de 2005 pode ter sido ajudado pelo aquecimento global, que estimulou o crescimento das plantas.

Mas o Painel Climático da ONU projetou num relatório de 2007 que o aumento das temperaturas pode provocar mais secas e "levar a uma substituição gradual da floresta tropical pela savana" na Amazônia oriental até meados do século.

O novo estudo disse que a seca de 2005 afetou especialmente algumas espécies de madeira macia, como palmeiras. Em nota, o botânico peruano Abel Monteagudo, participante do estudo, afirmou que "a seca ameaça a biodiversidade também".

Segundo Phillips, o maior acúmulo de carbono na Amazônia desde a década retrasada já ajudou a desacelerar o aquecimento global. "Não é porque temos recebido este subsídio que podemos contar com ele para sempre", disse.

Governos de todo o mundo estão envolvidos nas negociações que devem levar à adoção de um novo tratado climático global em dezembro, em Copenhague. Mas muitos países relutam em aceitar cortes mais profundos nas emissões industriais, por causa da atual crise econômica.

Muitos países desejam que medidas contra o desmatamento sejam parte do acordo. O desmatamento, muitas vezes devido a queimadas para dar lugar a lavouras e pastos, representa cerca de 20 por cento das emissões por atividades humanas.

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