Seade: gravidez na infância cresce com violência sexual

A taxa de gravidez em meninas entre 10 e 14 anos de idade aumentou 3,2% em São Paulo, saindo de 3.278 gestações em 2006 para 3.

Agência Estado |

386 em 2007, conforme os dados mais recentes da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Esse crescimento ocorre em contraponto às adolescentes de 15 a 19 anos, que cada vez menos têm aparecido nas estatísticas das maternidades paulistas. Para os especialistas, a constância das gestações na infância tem relação com a violência sexual, crime também em ascensão no Estado - com avanço de 33,2% no primeiro trimestre de 2009.

Todo ano, há 3,5 mil garotas que entram nas estatísticas de gestação precoce, uma média de três por dia. O índice não cede em São Paulo. Desde 1995, elas respondem por 0,6% de todos os partos feitos no Estado - porcentual inabalável na série histórica. Já as mães entre 15 e 19 anos, que há 14 anos respondiam por 18,4% das paulistas, hoje são 15,7%. Mesma tendência de queda no período foi registrada na parcela entre 20 e 24 anos (de 30,3% para 26,5%).

Os dados da Secretaria de Segurança Pública endossam que os menores de idade são as vítimas preferenciais dos criminosos. Durante o ano passado, apenas nas delegacias da mulher do Estado, foram registrados 3.194 estupros e atentados violentos ao pudor. Do total, 2.413 foram contra crianças e adolescentes, o que representa 75% dos crimes. “Nós não temos tido sucesso em reduzir a gestação nas idades mais baixas e isso é um problema mundial”, afirma o médico Jefferson Drezett, especialista em abuso sexual.

“A vinculação entre abuso e gravidez fica evidente nos serviços de aborto legal. São as menores que figuram entre a maioria das pacientes”, afirma Margareth Arilha, diretora executiva da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR). No Hospital Pérola Byington, dos 705 abortos realizados desde 1995 até 2008, 27% foram em meninas de 12 a 17 anos. A rotina do ambulatório é mais reveladora: dos 2.330 acolhimentos feitos no ano passado, 47% eram em menores de 12 anos. Um dado da entidade é que em 16% dos casos o abuso só é revelado com a gestação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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