Se punição resolvesse, a gente não teria tanto bandido, diz Lula

Presidente assina mensagem que encaminha ao Congresso Nacional projeto de lei que proíbe castigos físicos em criança e adolescente

Agência Estado |

AE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva(d) e o secretário especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, durante cerimônia de comemoração dos 20 anos do ECA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na manhã de hoje mensagem que encaminha ao Congresso projeto de lei sobre castigos corporais e "tratamento cruel ou degradante" contra crianças e adolescentes. A medida ocorre 20 anos após a implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Durante a cerimônia no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória do governo, Lula comentou sobre possíveis críticas ao projeto. "Vai ter muita gente reacionária nesse País, que vai dizer 'Não, tão querendo impedir que a mãe eduque o filho', 'Tão querendo impedir que a mãe pegue uma chinelinha Havaiana e dê um tapinha na bunda da criança'. Ninguém quer proibir o pai de ser pai e a mãe de ser mãe. Ninguém quer proibir. O que nós queremos é apenas dizer 'é possível fazer as coisas de forma diferenciada'", disse. Se punição resolvesse o problema, continuou o presidente, "a gente não teria tanta corrupção nesse País, a gente não tinha tanto bandido travestido de santo". "Beliscão é uma coisa que dói", afirmou.

O presidente aproveitou a ocasião para falar sobre os seus tempos de infância. "Eu não lembro da minha mãe ter batido num filho. O máximo que ela fazia às vezes era a gente, cinco homens deitados numa cama, ela vinha com o chinelo, a gente esticava o cobertor, e ela ficava batendo, e a gente fingindo que estava batendo, doendo, gritando, e ela ia embora, quem sabe cansada, e a gente tirava o cobertor e começava a rir". Sobre o pai, prosseguiu, nunca apanhou dele, apesar de considerá-lo um homem bruto.

Lula assinou simbolicamente o projeto, que deve passar pela Câmara e Senado, ou seja, deve ser analisado por comissões e pelo plenário de cada Casa. Depois, vai para sanção do presidente.

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