Se o crack vai para o Rio, é porque a repressão em São Paulo é forte, diz delegado

SÃO PAULO - Não vou dizer que o crack não está indo de São Paulo para o Rio de Janeiro. Mas, se está acontecendo, é porque a repressão aqui é forte. Nunca fomos procurados pelo Rio para discutir esse problema, mas sempre estamos abertos para a cooperação.

Daniel Torres, iG São Paulo |

A afirmação é de Ronaldo Bittencourt Cardoso, delegado-titular da 4ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), do Departamento de Investigações sobre Narcóticos de São Paulo (Denarc) de São Paulo, em resposta à declaração dada pelo titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) do Rio de Janeiro, Marcus Vinícius Braga, em entrevista ao portal iG, de que todo o crack comercializado no Rio de Janeiro é importado de São Paulo .

Segundo Braga, apesar do crescente aumento de apreensões de crack no Rio - comparado com 2008, o número é 22 vezes maior - ainda não foi encontrado no Estado um laboratório para o refino do entorpecente.

Eu não acredito nisso. É fácil dizer que o seu problema vem do outro. O crack hoje em dia é um problema de todo o País. E um laboratório pode ser feito em um cubículo. Tem em todo o lugar, rebateu Bittencourt. "O crack é feito do lixo da cocaína, com o que sobra do refino da cocaína, e onde tem cocaína vai acabar aparecendo o crack, completou.

Repressão

Para Bittencourt, o forte combate à droga em São Paulo pode ser um dos motivos do crescimento do consumo do entorpecente no Estado vizinho. ""Nós aqui quando estouramos um laboratório fazemos até festa. Porque é algo que realmente é difícil de encontrar. E não vou dizer que no Rio ainda não acharam porque é má vontade. A estrutura dos morros do Rio é muito complexa mesmo. Mas não dá para dizer que não tem", afirmou, ressaltando que é preciso "muita investigação".

De acordo com o Bittencourt, o número de consumidores aumentou bastante no Brasil e o comércio segue o mesmo crescimento. Em São Paulo, o Denarc foi reestruturado para combater o crack. Desde abril, já foram apreendidos só aqui, pelo Denarc, 44 quilos da droga. E cada pedra pesa menos que um grama, explicou.

Para o titular da 4º Dise, o crack está disseminado no Brasil inteiro. É uma droga dos viciados menos favorecidos e agora está chegando forte na classe média. É uma droga barata e pequena. Precisa de uma lasquinha para se entorpecer e o usuário ainda esconde em qualquer lugar", o que facilita o tráfico e dificulta o combate.

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