O escândalo envolvendo o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia completa neste mês um ano, mas ainda está longe de desfecho e punições. Na última quarta-feira, o Senado decidiu não demitir o ex-diretor apontado como um dos responsáveis pelos atos secretos e por ocultar da Justiça Eleitoral uma mansão de R$ 5 milhões. Ontem, o http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2010/03/11/senado+suspende+acusado+por+atos+secretos+por+90+dias+9424498.htmlSenado suspendeu Agaciel por 90 dias, que volta a receber o salário após o período.

O primeiro-secretário da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI), responsável pela determinação, disse ao  iG que decidiu apenas suspender o ex-diretor, que ainda trabalha na Casa, porque não queria ser desmoralizado por eventual contestação judicial no STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo ele, a demissão por improbidade administrativa, que seria a aplicável ao caso, só poderia ser imposta depois de condenação judicial, o que ainda não ocorreu.

"Se eu pudesse, claro que demitiria, se o Brasil escolhesse, seria até a forca, se pudesse. Sofri críticas por isso, mas não quero ser desmoralizado. Prefiro esperar a Justiça, demissão agora seria inócua."

A Comissão Especial formada por três servidores investigou o caso, sendo que dois deles sugeriram, ao final dos trabalhos, a demissão de Agaciel Maia do funcionalismo público. No entanto, Fortes decidiu apenas pela suspensão e disse que o ex-diretor teria sido favorecido se fosse demitido.

Para o cientista político da UnB David Fleischer, a punição a Agaciel não virá do Senado, já que ele é um arquivo ambulante e os parlamentares temem que ele vaze informações sigilosas.  Se for punido, Agaciel entra para a lista dos candidatos ficha-sujas, já que se filiou ao PTC no ano passado de olho em uma vaga na Câmara dos Deputados em outubro.

Se tiver punição, vai ser pela Justiça ou é mais fácil levar para o Ministério Público, mas no Senado todo mundo tem medo dele abrir a boca.

Agaciel chegou ao Senado pelas mãos do atual presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e ficou no cargo por 14 anos. Sarney é padrinho de casamento da filha de Agaciel e foi ele quem o nomeou para o cargo de diretor-geral, em 1995, na primeira vez que assumiu a presidência do Senado.

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