SBP recomenda ampliar foco em crianças na vacinação contra gripe

Pesquisas recentes mostram que as crianças concentram mais o vírus da gripe do que os adultos e podem contaminar outras pessoas por até dez dias após o início dos sintomas. A informação é do pediatra Eitan Berezin, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Agência Estado |

Segundo ele, esta constatação levou SBP a seguir uma tendência mundial e modificar este ano o calendário de vacinação. "Ampliamos o período de vacinação de dois para até cinco anos de idade, pois os dados mostram que a gripe incide mais nessa faixa etária”. Atualmente, a campanha da rede pública no País dá ênfase a vacinação de idosos.

Nos Estados Unidos, o Centers for Disease Control and Prevention (Centro de Controle e Prevenção de Doenças Infecciosas) recomenda, desde julho do ano passado, que todas as crianças e adolescentes de 6 meses a 18 anos sejam vacinados. Segundo o médico norte-americano Frederick Ruben, ex-professor da Universidade de Pittsburgh, "imunizar crianças pode evitar o surto da doença, além de reduzir a exposição e hospitalizações.”

Berezin também recomenda a imunização para jovens, embora os riscos sejam maiores para crianças e idosos. Segundo o especialista em infectologia, a proteção contra a gripe chega a 90%, mas a vacina é contraindicada para quem é alérgicos a ovo, que é usado em sua fabricação. Para quem está entre 30 e 40 anos, a prática de esportes, além de hábitos e alimentação saudáveis ajudam o organismo adquirir uma boa resistência natural contra agentes infecciosos. Mas Berezin reforça que o vírus que causa a gripe suína ainda não tem vacina.

Como o vírus da gripe sofre muitas mutações de um ano para o outro, é preciso se imunizar todos os anos. A rede pública de saúde oferece a vacina contra influenza gratuitamente a quem tem mais de 60 anos, contemplando também aqueles que têm quadros especiais, como imunodepressões, asma, diabete, doenças do coração, problemas renais ou neurológicos. A imunização é indicada nos meses de maior prevalência da gripe, principalmente as semanas que antecedem o inverno.

Quando o período mais frio do ano se aproxima, os sintomas da gripe levam muita gente ao hospital e a passar alguns dias em casa. Além dela, há aumento de outras doenças durante a estação mais fria do ano, como sinusite, rinite e otite média. “O inverno é a época do ano em que predominam as doenças de transmissão respiratória. Há mais concentração de pessoas, mais choque térmico, a poluição aumenta e o trato respiratório fica irritado. Esses fatores facilitam a transmissão”, explica o infectologista Artur Timerman, dos hospitais Albert Einstein e Professor Edmundo Vasconcelos.

Influenza

O vírus influenza (o causador da gripe), segundo Timerman, deve ser considerado como o mais importante. Sozinho, esse vírus infecta cerca de 600 milhões de pessoas por ano - um em cada dez adultos e uma em cada três crianças. Os que mais sofrem são os menores de 2 anos, que ainda não têm o sistema imunológico completo, e os maiores de 65. São eles os mais internados em hospitais e também os que apresentam mais complicações, como a otite e a pneumonia.

Nos menores de 1 ano as taxas de hospitalização são maiores do que nos idosos e o índice de morte em bebês de até 6 meses é semelhante às taxas em pacientes da terceira idade, segundo a professora doutora Sandra Vieira, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). As creches são um canal favorável para a proliferação do vírus: de 20% a 50% dos seus alunos ficam infectados pelo influenza.

Andressa Zanandrea e Liliam Raña

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