Sátira do presidente francês faz inesperado sucesso nos cinemas

PARIS ¿ Uma comédia francesa que satiriza a luxuosa residência do presidente Nicolas Sarkozy em Paris enquanto critica, com os clichês de sempre, os programas nacionais de casas populares para imigrantes, se tornou um inesperado sucesso de bilheteria neste verão europeu.

AFP |

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História do filme se passa na cidade onde Sarkozy nasceu e iniciou carreira política

"Neuilly-sa-Mère" conta a história de um jovem muçulmano de 14 anos, que mora em um bairro violento da periferia parisiense e é mandado para o subúrbio chique de Neuilly-sur-Seine para morar com uma tia, casada com um aristocrata que possui um matadouro de porcos.

Em apenas duas semanas de exibição, 880 mil pessoas já viram o filme, cujo título é um trocadilho com a gíria do gueto para "sua mãe".

Sentindo saudades de seu ambiente de origem, o jovem Sami Benboudaoud cai de paraquedas em um mundo no qual ninguém consegue pronunciar seu nome, finais de semana são passados no country club e adolescentes louros da classe alta aterrorizam a escola onde estuda.

Filmado na cidade de Neuilly, onde Sarkozy cresceu e deu início a sua carreira política como prefeito, de 1983 a 2002, o filme é cheio de referências políticas e frases de efeito claramente alusivas às atitudes e discursos do presidente francês.

O primo mais novo de Sami, Charles de Chazelle, é uma versão adolescente de Sarkozy: ele sonha em se tornar presidente, transformou seu quarto em um santuário de ícones da direita francesa e corre ouvindo músicas da primeira-dama Carla Bruni.

Djamel Bensalah, co-roteirista do filme, insiste que "Neuilly-sa-Mère" é uma comédia leve, e não uma crítica social, afirmando que poderia ser uma versão francesa da série americana "Um Maluco no Pedaço ("Fresh Prince of Bel Air"), com o ator Will Smith.

"É uma comédia de família ¿ brinca com os clichês para subvertê-los. Não tem como objetivo fazer piada com esta ou aquela pessoa, mas rir com elas. Construindo pontes entre comunidades, ligando pessoas e quebrando preconceitos", explicou.

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