Satiagraha tinha sistema paralelo de grampo, diz agente

Os agentes envolvidos na Operação Satiagraha da Polícia Federal (PF) utilizaram um segundo sistema de grampo telefônico, além do guardião, sistema oficial de interceptação, durante o período em que foram comandados pelo delegado Protógenes Queiroz. Foi o que confirmou hoje à CPI dos Grampos o agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Jerônimo Jorge da Silva Araújo.

Agência Estado |

Sem revelar o nome do sistema utilizado, ele disse aos deputados, em depoimento fechado, que manuseava apenas os áudios dos grampos, já devidamente repassados ao computador.

Quem também depôs hoje na CPI foi o agente Lúcio Fábio Godoy de Sá. Pela manhã, na sede da Abin, ele afirmou ter sido informado por Protógenes que a Satiagraha era uma determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente estaria preocupado, segundo o agente, com investigações em torno do seu filho Fábio Luiz da Silva, conhecido como Lulinha. O depoimento de Godoy faz ganhar força a versão de que Protógenes teria investigado ilegalmente autoridades dos três Poderes, como revelado pela revista "Veja", segundo integrantes da CPI.

A CPI quer agora esclarecer a denúncia com o próprio Protógenes, que presta depoimento à comissão no dia 1º de abril. "O Protógenes vai ter que dizer se foi ele que disse isso sobre o presidente Lula. Por que essa operação da Polícia Federal teve esse tamanho?", questionou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que os depoimentos dos agentes mostraram que a Operação Satiagraha não seguiu os "ditames normais" previstos pela PF.

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