Sarney rebate denúncias e declara que vai resistir

BRASÍLIA (Reuters) - Em novo discurso de defesa, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), procurou rebater nesta quarta-feira as denúncias feitas contra ele e disse que vai resistir, permanecendo à frente da instituição. Não tenho senão que resistir. Foi a única alternativa que me deram, disse Sarney no plenário do Senado.

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"Todos aqui somos iguais. Nenhum senador é maior que outro e por isso não pode exigir de mim que cumpra sua vontade política de renunciar. Permaneço pelo Senado, para que ele saiba que me fez presidente para cumprir o meu mandato", sentenciou o senador.

Com a utilização do recurso de transparências, Sarney negou ter cometido nepotismo, mesmo com a existência de parente em uma lista de servidores do Senado citados por ele.

"É uma campanha pessoal sem respeitar a minha privacidade e os meus 55 anos de vida pública", lamentou. "Hoje, não se fala mais em crise administrativa do Senado. Ela sumiu e toda mídia e alguns senadores não a vinculam senão a mim", insistiu.

Citou as acusações contra a administração do Senado, como o uso de atos secretos (medidas não publicadas), para dizer que "nesses seis meses que assumi o Senado só fiz corrigir erros e tomar medidas saneadoras".

Ele também evocou sua trajetória política como presidente da República (1985-1990), governador (1966-1971) e congressista para indicar coerência. Afirmou, por exemplo, que quatro dias após o golpe militar de 1964 defendeu o mandato dos parlamentares. O que se viu depois foi a adesão de Sarney ao partido que apoiou a ditadura, a Arena.

Ele também apelou para a pacificação no Senado. "Peço justiça para que possamos sair da crise e voltar ao ambiente de paz nesta Casa."

Pouco antes de Sarney iniciar o discurso, a reunião do Conselho de Ética do Senado foi suspensa por ter sido agendada para o mesmo horário. O órgão recebeu 11 denúncias por quebra de decoro parlamentar contra Sarney e iria indicar o destino de cinco acusações.

Ao final do discurso, a reunião foi retomada, depois de apelos de aliados, como o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), na tentativa de esvaziar o plenário e transferir a discussão para o âmbito do colegiado.

REPERCUSSÃO

A fala de Sarney provocou reações distintas entre os senadores, mas não conseguiu reduzir a pressão sobre o presidente do Senado.

A oposição insiste na investigação, enquanto que os aliados tentarão arquivar as representações e denúncias protocoladas contra o peemedebista no Conselho de Ética.

Se instaurados, os processos podem provocar o afastamento de Sarney do cargo ou até a cassação de seu mandato.

"Não diria que ele foi convincente. Isso tem que ser explicado, não é uma frase que vai desmanchar um elenco de colocações", afirmou a jornalistas o líder do DEM, José Agripino Maia (RN).

Ele disse que a oposição aceita a fusão das cinco representações, protocoladas pelo PSDB e pelo PSOL, em pelo menos duas, mas não concordará com o arquivamento de todas as ações.

"Não há como fazer um juízo prévio sem fazer uma investigação. Não dá para arquivar sem investigar, não vamos aceitar esta tática sem recorrer", afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Para os aliados de Sarney, entretanto, seu discurso dá munição para sua defesa. "Ele reforçou o lado que o apoia. O fórum agora é o Conselho de Ética", afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

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