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Sarney: A crise do Senado não é minha, é do Senado

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), rebateu nesta terça-feira denúncias de supostas irregularidades contra a administração da Casa. O senador, de 79 anos, afirmou que, apesar de o Senado ter passado por diversas crises nos últimos anos, seu nome nunca foi citado em atos ilegais.

Reuters |

"A crise do Senado não é minha. A crise é do Senado e é essa instituição que nós devemos preservar. Tanto quanto qualquer um aqui, ninguém tem mais interesse nisso do que eu, até porque aceitei ser presidente da Casa", afirmou em discurso no plenário.

"Isso é uma crise mundial. O que se fala aqui no Brasil do Congresso fala-se na Espanha, fala-se na Inglaterra, fala-se na Argentina, fala-se em todos os lugares", acrescentou.

Desde o início da gestão Sarney, em fevereiro, vieram à tona diversas denúncias, como o pagamento de horas extras no período de recesso parlamentar.

O ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia foi acusado de não declarar a posse de uma casa à Receita Federal. Já o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi teria se beneficiado de contratos assinados entre o Senado e bancos que ofereciam crédito consignado aos servidores da instituição.

Houve inúmeras denúncias sobre o mau uso da cota de passagens aéreas por senadores, assim como da verba indenizatória. Mais recentemente, surgiram denúncias sobre a publicação de atos secretos pela administração do Senado para a contratação de funcionários, entre eles parentes de Sarney.

Em seu discurso, o presidente do Senado listou as medidas que adotou desde que tomou posse. Disse, por exemplo, que regulamentou a utilização desses benefícios e, além de anunciar um corte linear de 10 por cento do orçamento da Casa e extinguir diversas diretorias, restringiu gastos com uso de telefones e assistência médica.

Entretanto, Sarney não rebateu objetivamente as denúncias, e escorou-se em sua biografia, ex-governador do Maranhão e ex-presidente da República (1985-1990). Segundo o parlamentar, os atos secretos do Senado, que podem não ter sido devidamente publicados, são fatos do passado, responsabilidade inclusive de ex-presidentes da Casa que já morreram.

"Eu não sei o que é ato secreto. Aqui ninguém sabe o que é ato secreto", destacou, lembrando que uma comissão está investigando as suspeitas e defendendo a punição dos culpados.

"Nós não temos nada que ver com isso. Hoje, todos os atos estão na rede... Vou levar em frente, doa a quem doer".

Além disso, Sarney argumentou que os senadores devem responder pelo assunto de forma conjunta. "Todos nós somos responsáveis, porque aprovamos aqui os atos da Mesa".

Sarney citou sua participação na redemocratização do país, e alegou que quando foi presidente da República fez várias medidas para aumentar a transparência das contas públicas. O senador também negou que tenha pedido a colegas empregos para parentes.

"Acho que não posso ser julgado. É uma injustiça do país julgar um homem como eu, com tantos anos de vida pública, com a correção que tenho e vida austera e família bem composta, que tem prezado a sua vida dentro da dignidade da sua carreira", afirmou.

REPERCUSSÃO

Presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE) afirmou no plenário logo depois que Sarney encerrou sua fala que o presidente da Casa deveria liderar um processo de reforma da estrutura da instituição a fim de torná-la mais enxuta.

"Temos obrigação de fazer neste mandato", defendeu Guerra. "Aqui tem gente demais para trabalho de menos."

Perguntado por jornalistas se Sarney deveria deixar o cargo, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que não acredita na hipótese.

"A renúncia, se ele pensasse na tranquilidade dele, seria uma boa saída. Mas, acho que ele não topa", comentou.

(Reportagem de Fernando Exman, Natuza Nery e Ana Paula Paiva)

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