O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), prepara, em sua residência, um discurso para ser lido na tarde de hoje no plenário da Casa. Segundo assessores do senador, Sarney abordará em seu discurso a questão da crise no Senado.

Os mesmos assessores do senador não sabem dizer, entretanto, se em seu discurso Sarney pretende se antecipar uma defesa no Conselho de Ética. Sarney responde no Conselho de Ética a cinco representações e seis denúncias que o acusam da contratação de aliados e parentes por atos secretos a desvio de dinheiro destinado pela Petrobras à Fundação Sarney para empresas fantasmas.

"Evidente que, dentro desta estratégia do enfrentamento de que o PMDB deve ir à guerra, ele também deve participar. Afinal, é o líder do partido, é o líder desta história. Dentro deste contexto, ele não vai ficar numa posição cômoda, à sombra", disse à Agência Estado um assessor do senador, numa referência à estratégia adotada ontem pelos aliados de Sarney, os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL), que saíram em defesa do senador quando o peemedebista Pedro Simon (RS) defendeu em plenário a renúncia de Sarney.

Esse será o segundo discurso do senador José Sarney sobre a crise. Um dia antes do início do recesso parlamentar, Sarney fez um balanço do encerramento dos trabalhos do semestre e afirmou que não titubeou em momento algum em tomar as medidas cabíveis em resposta às denúncias de irregularidades que atingiram a instituição. "Os desafios, a carga de trabalho, os insultos, as ameaças não me amedrontaram. Estamos construindo, tenho certeza, um novo Senado", afirmou à época. "As grandes injustiças só podem ser combatidas com o silêncio, a paciência e o tempo", disse, citando o filósofo e estóico Lúcio Séneca (4 a.C-65 d.C).

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