Sarney ouvirá juristas sobre envio de documentos à Polícia Federal

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse neste domingo, por intermédio de sua assessoria, que vai consultar os juristas da Casa para saber se remete ou não para a Polícia Federal (PF) os documentos sobre as transações de empréstimos consignados, colocadas sob suspeita. De acordo com a assessoria do senador, se não houver nenhum impedimento legal, os documentos serão remetidos o mais rápido possível.

Agência Estado |

Depois de insistir sem sucesso na obtenção dos dados, a PF passou a avaliar uma medida radical: en trar com um recurso na Justiça para conseguir os documentos para instruir o inquérito, que investiga o eventual envolvimento do ex-diretor João Carlos Zoghbi (Recursos Humanos) num suposto esquema de favorecimento pessoal.

O inquérito foi instaurado no dia 13 de maio pelo delegado Gustavo Buquer para investigar a atuação da Contact Assessoria de Crédito como intermediária em contratação de crédito consignado pelos servidores, um ramo que movimenta R$ 12 milhões mensais dentro do Senado. A empresa tem como sócia Maria Izabel Gomes, 83 anos, uma ex-babá de Zoghbi que teria sido utilizada como laranja. O ex-diretor já confessou que autorizava servidores a tomarem empréstimos acima do valor permitido.

Neste domingo, o senador José Agripino (DEM-RN) disse que a PF e o Ministério Público têm o direito legal de solicitar os documentos para tentar esclarecer o caso. Agripino, no entanto, alertou para que essas investigações aconteçam "com equilíbrio e sem estardalhaço".

Sobre a imagem do Senado ficar ainda mais arranhada após a eventual autorização da Justiça para a busca e apreensão de documentos na Casa, Agripino lamentou: "Os fatos que já estão postos são desagradáveis para a imagem da instituição. Por isso, quero que as investigações aconteçam".

Três ofícios - sendo dois de reiteração - foram enviados pelo delegado à presidência do Senado em menos de um mês solicitando os processos envolvendo as instituições bancárias conveniadas. Por enquanto, nenhuma resposta foi dada. Um apelo, que não produziu resultados, também foi feito ao senador Romeu Tuma (PTB-SP), ex-diretor-geral da PF e uma espécie de interlocutor dela no Senado.

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