Sarney nem teve tempo para cometer erros, diz Heráclito

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) defendeu esta tarde o presidente da casa, José Sarney (PMDB-AP), acusado de envolvimento em uma série de escândalos. Primeiro, Fortes afirmou que Sarney não teve tempo para cometer erros durante o seu terceiro mandato como presidente do Senado.

Agência Estado |

Depois, alegou que, com a entrada de novas empresas atuando no setor de crédito consignado na Casa, como a do neto de Sarney, houve uma redução das taxas cobradas de juros. "Se Sarney quis errar, nem tempo teve", afirmou. De acordo com o senador, se alguns fatos vieram a público manchando a história da Casa, vieram por meio da Mesa Diretora.

Fortes salientou que o crédito consignado era "cobrado na base da agiotagem" no Senado. De acordo com ele, a taxa inicialmente era de 4% e, posteriormente, caiu para 1,6%, quando novas empresas passaram a atuar na Casa. "Quando vejo matéria do Estadão, eu só faço uma pergunta: 'O avô ajudou ou prejudicou?'", questionou, referindo-se à manchete do jornal "O Estado de S. Paulo" de hoje. Conforme a reportagem, o neto do presidente do Senado, José Adriano Cordeiro Sarney, é um dos operadores do esquema de concessão de empréstimos consignados a servidores da Casa. Para Fortes, a dúvida persiste porque, segundo ele, vários bancos deixaram de operar no Senado porque acabou a agiotagem e a especulação dentro da Casa.

O senador disse ainda ser "fã número 1" do colega Pedro Simon (PMDB-RS), que pediu hoje o afastamento de Sarney da presidência do Senado. "Tenho admiração antiga e crescente", elogiou. Segundo Fortes, se Simon estivesse à frente da Casa, os senadores estariam livres dos escândalos. "Não teríamos passado pelo constrangimento do pagamento de horas extras", destacou. Fortes lembrou que, após esse episódio, vieram os atos secretos. "Esses fatos não são histórias da carochinha e serão apurados um a um", garantiu.

"Não vou permitir que meu nome vá para o lixo numa hora dessas, mas não posso dar conselhos para Sarney porque sou do mesmo colegiado", continuou. Ele disse esperar que o Senado volte a ter seus dias de glória e disse que se sente incomodado pela atribuição de primeiro-secretário da Casa. "Eu gosto de cutucar o governo, mas estou sendo o bedel, o gerente."

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