O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), depois de afirmar que adotou medidas em relação a cada uma das denúncias dos últimos meses sobre irregularidades na Casa, negou veracidade a uma das mais recentes: a de que muitos servidores são nomeados na casa por atos secretos. Eu não sei o que é ato secreto, aqui (no Senado) não há atos secretos.

O que temos é que verificar as irregularidades da entrada (das nomeações) em rede e da não entrada em rede", afirmou o senador na tribuna da Casa, onde se pronunciou sobre acusação de práticas de nepotismo, entre outras.

Em seu discurso, Sarney insistiu na afirmação de que nenhuma das irregularidades registradas no Senado tem a ver com a sua administração. "Tudo em relação ao passado, nós, a nossa gestão, não temos nada a ver com isso. Não vou dizer que foi na gestão tal e tal, até porque alguns dos nossos colegas estão mortos."

Ele afirmou que hoje todos os atos do Senado "estão na rede" e que "não existem atos nenhum (sic) que não estão na rede." Aparentando nervosismo, hesitando na escolha das palavras e incorrendo em erros de concordância, Sarney negou que tenha havido privilégios na nomeação, por atos secretos, de um sobrinho seu e de uma neta de sua mulher, Marly, para cargos no Senado.

"Ninguém pode tomar posse sem ter sua nomeação publicada. Isso não existe. Se alguém fez, vamos descobrir, vamos punir", afirmou ele, dizendo que essa é a tarefa criada pelo senador Heráclito Fortes (DEM-PI). "Seria colocar nas costas de todos nós a responsabilidade pelo que pode ter acontecido. Não sei se aconteceu, é injusto, mas não vou dizer que vou mais longe."

Ditadura

Sarney insistiu em se apresentar como defensor da democracia. "Fui o único governador do Brasil que não concordei com o AI-5 (Ato Institucional Número 5). Está nos anais desta Casa. O deputado José Sarney disse: 'Aqui não se cassa mandato de ninguém se não for dentro das normas'. Dia 5 de abril, quando as tropas estavam na rua, eu tive a coragem de afirmar dessa maneira." Porém, ele não esclareceu qual atitude tomou contra o AI- 5, um dos instrumentos usados pelo regime militar para cassar mandatos de parlamentares da oposição, quando era governador do Maranhão.

Sarney afirmou ter prestado "muitos serviços ao País" e mencionou sua participação no processo de reconciliação política promovido em meados dos anos 1980 pelo então candidato presidencial Tancredo Neves e lembrou que, para participar do movimento, se desfiliou do PDS, partido de sustentação da ditadura.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.