Sarney diz que sofre processo kafkiano e critica senadores

BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se defendeu das informações veiculadas pelo jornal ¿O Estado de S. Paulo¿, dando conta que dois de três apartamentos na capital paulista, usados pela família, estão no nome da construtora Holdenn Construções, Assessoria e Consultoria Ltda., cujo principal nicho de negócios é o setor elétrico, área em que o senador exerce influência. Ele alegou estar sofrendo um processo kafkiano e acusou senadores de estarem lhe pré-julgando.

Severino Motta, repórter em Brasília |

É um processo kafkiano [que estou sofrendo]. E mais ainda, meu colega Walter Pereira (PMDB-MS), diz que o Sarney deve explicação sobre os apartamentos em São Paulo. Meu Deus, tenho que explicar aqui no Senado qualquer coisa que eu compre na vida?, disse, referindo-se ao livro O processo, de Franz Kafka, onde o protagonista acorda certa manhã, e, sem motivos sabidos, é preso e sujeito a longo e incompreensível processo por um crime não revelado.

AE
Fachada do prédio em SP

Fachada do prédio em SP

De acordo com Sarney, um dos três apartamentos foi comprado por ele em 1977. Os outros teriam sido comprados por Sarney Filho, que não tem a escritura porque os imóveis ainda estariam sendo pagos. O presidente ainda garantiu que tais pagamentos constam no imposto de renda de seu filho.

Após dar as explicações, Sarney voltou a criticar colegas senadores.
O que me traz à tribuna é que alguns colegas meus foram muito apressados. Não procuraram nem saber do que se tratava e dizem que é preciso fazer uma investigação sobre os móveis de Sarney, numa referência ao presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Demóstenes Torres (DEM-GO).

Criticas ao Estadão

Agência Senado
Sarney comparou "Estadão" a um tablóide londrino
Ainda na tribuna do plenário, Sarney fez duras críticas ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ele, o periódico está numa campanha para difamá-lo, usando até mesmo práticas nazistas.

O Estado que era lido, respeitado, passou a ser um tablóide londrino, daqueles que buscam escândalos para vender (...) Sem ter uma referência, prova, uma afirmação a essa natureza, ele vem se empenhando em campanha sistemática e adotando práticas nazistas, de acabar com as pessoas, denigrir sua honra e dignidade e até como com os judeus a levar à câmara de gás. Felizmente no Brasil não tem câmara de gás, disse.

Defesa de Sarney

Após o discurso em plenário do presidente do Senado, a voz dissidente da oposição, o senador Papaleo Paes (PSDB-AP), o defendeu em plenário. 

Para o tucano, Sarney está sendo vítima de perseguição política e, por isso, estão querendo a sua cassação. Essa Casa não é de dar golpe, afirmou.  E o parlamentar ainda cobrou respeito a Sarney, como ser humano, e a sua família: "quem desrespeita está procurando ser desrespeitado".

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