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Sarney diz que não vai renunciar e que denúncias são recortes de jornais

BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse em discurso no plenário nesta quarta-feira que nenhum dos pedidos de investigação protocolados contra ele no Conselho de Ética da Casa trata de desvio de recursos públicos e que todos os pedidos foram baseados em ¿recortes de jornais¿. De acordo com ele, a disputa política instaurada no Senado não lhe dá outra alternativa senão resistir. Após o discurso, os senadores decidiram retomar a http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/08/05/reuniao+do+conselho+de+etica+analisa+acusacoes+contra+sarney+7700956.htmlreunião do Conselho de Ética.

Severino Motta, repórter em Brasília |

No início do pronunciamento, Sarney lembrou de sua postura durante a ditadura e enquanto foi presidente. Sobre uma possível renúncia, ele afirmou: "Permaneço pelo Senado, para que ele saiba que me fiz presidente para meu mandato cumprir".

As acusações que me foram feitas nas diversas representações apresentadas ao Conselho, nenhuma se refere a dinheiro ou prática de atos ilícitos ou desvio de dinheiro público. São coisas que não representam queda de padrão ético (...) Todas são respaldadas, sem nenhuma exceção, por recortes de jornal, disse.

Sobre sua permanência à frente do comando da Casa, Sarney disse que na coerência de seu passado e por não ter cometido nenhum ato que desabone sua vida, não há atitude a se tomar senão resistir, sendo esta a última alternativa que seus adversários lhe deram.

Agência Senado

Referindo-se ao líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), Sarney disse que nenhum senador é maior que outro e por isso não podem lhe imputar a vontade política própria, no caso, o pedido de renúncia.

Durante o discurso, Sarney contou com o não usual suporte de um telão com sua apresentação, onde lê dados e rebate uma a uma das acusações que lhe são imputadas.

No telão, ele exibiu dados sobre outras gestões do Senado, mostrando o número de atos secretos contidos em cada uma, citando presidentes da Casa como Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho, Edson Lobão e Renan Calheiros. Ele disse que nenhum desses presidentes sabia da movimentação a respeito das nomeações.

O presidente do Senado citou nomes de pessoas contratadas, inclusive um cargo dado pela sua filha, Roseana Sarney, dizendo: "não há lei brasileira que passe a responsabilidade de filha para pai".

O presidente da Casa preparou o discurso para ontem, mas prorrogou para esta quarta-feira, para o mesmo horário previsto da reunião do Conselho de Ética, que foi adiada para que os senadores pudessem acompanhar o pronunciamento de Sarney.

Crise administrativa

Sarney disse que hoje não se fala mais em crise administrativa do Senado. De acordo com ele, as medidas que tomou desde o inicio de seu mandato, entre elas a demissão do diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, sanaram vício e corrigiram distorções. Mas, afirmou, a mídia não deu o devido destaque aos fatos.

Atos secretos

Sobre os atos secretos do Senado, o presidente Sarney disse que nenhum dos senadores da Casa jamais teve conhecimento de sua existência. Disse ainda que anulou todos aqueles que teve capacidade, com exceção dos editados pela Mesa Diretora da Casa com aprovação em plenário.

Além disso, alegou que, quando analisada a letra Constitucional de forma severa, todos os atos do Senado deveriam ser taxados de semi-secretos, pois não constavam no Diário Oficial do Senado, somente no Boletim de Pessoal que é restrito a funcionários da Casa e jornalistas credenciados.

O presidente também disse que de seus atos, 34 não foram publicados. Quando o Senado estava sob o comando de Renan Calheiros (PMDB-AL) foram 229, e sob Garibaldi Alves (PMDB-RN), o número chegou a 106. Citou ainda o ex-presidente Tião Viana (PT-AC), que teve nove atos não publicados.

Antes de mudar de tema, Sarney disse que, da maneira que o assunto vem sendo tratado, dá-se a impressão que todos os atos secretos da Casa são de sua responsabilidade. O que, em seu ponto de vista, é uma injustiça.

Nepotismo

Sobre as acusações de nepotismo, Sarney disse que, de grande parte das nomeações secretas que a ele são imputadas, ele sequer conhece os servidores. Disse ainda que grande parte das movimentações feitas por funcionários eram pedidos diretos ao Diretor-Geral, na época Agaciel Maia.

Citou ainda o caso do namorado de sua neta, contratado para trabalhar no Senado. Disse que nenhum homem se furtaria a fazer um favor para a neta quando ele estivesse dentro da legalidade. Se pudermos ajudar legalmente, qualquer um de nós não vai deixar de ajudar. A pessoa indicada era competente e sempre trabalhou com assiduidade.

Sarney destacou ainda o suposto favorecimento a seu neto, que operou crédito consignado no Senado. Disse que, quando ele assumiu, seu neto já não trabalhava mais na área, e que ele baixou as taxas de lucro das financeiras no início de seu mandato.

Fundação Sarney

Sobre o suposto desvio de recursos da Petrobras para a fundação que leva seu nome, Sarney disse que ele delegou seu poder a um advogado, e que não faz parte da administração da instituição. Ele ainda reclamou que depois de seus adversários não terem encontrado nada que lhe desabonasse, partiram para a investigação de sua vida pessoal e de seus familiares.

Paz no Senado

Sarney encerrou seu discurso pregando a paz no Senado. Disse acreditar que seus pares vão concordar com sua inocência e que a partir de agora ele vai deixar o silêncio de lado e rebater cada uma das acusações. Não posso fugir das minhas responsabilidades, me humilhar. (...) Falei em vencer a injustiça pelo silêncio, mas me lembrei (...) que é muito mais difícil lidar com o silêncio do que com as palavras (...), que a paz seja restaurada nesta Casa e que o ódio e a paixão política não nos façam perder a razão.

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