Em nota divulgada nesta noite à imprensa, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), confirma o fechamento da Fundação José Sarney, suspeita de desvio de recursos públicos. Segundo Sarney, a entidade, sediada em São Luís, no Maranhão, não tem condições financeiras de continuar funcionando uma vez que os doadores que a sustentam suspenderam suas contribuições, pela exposição com que a instituição passou a ser tratada por alguns órgãos da mídia.

"Diante dessa situação de força maior, repito, com grande amargura, que o seu fechamento é o caminho a seguir, embora tal providência dependa de decisão do Conselho Curador da Fundação, obedecendo os trâmites previstos no Código do Processo Civil", diz a nota. "Lamento pelo Maranhão, que perde um centro de documentação e pesquisa que é uma referência nacional", conclui.

Há cerca de três meses o jornal O Estado de S. Paulo revelou que a fundação desviou R$ 500 mil de R$ 1,3 milhão destinado pela Petrobras para apoio à cultura. O desvio foi feito para empresas fantasmas e da família do senador. A oposição chegou a pedir a abertura de processo no Conselho de Ética do Senado contra Sarney, mas o pedido foi arquivado após acordo entre os parlamentares. A fundação tem sido investigada por Ministério Público, Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria-Geral da União (CGU).

Do total de R$ 1,3 milhão repassado pela Petrobras para a entidade digitalizar seu acervo, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto. Uma parcela do dinheiro, R$ 30 mil, foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, ambas da família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício.

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