Sarney deve retornar para Brasília após o recesso

Mesmo após o acidente com sua esposa, Marly Sarney, que foi operada hoje, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deve voltar para Brasília após o recesso parlamentar, que termina nesta sexta-feira, segundo um interlocutor do senador. Marly Sarney sofreu uma queda na quinta-feira em sua casa, em São Luís (MA), ao tropeçar em um tapete, e quebrou o ombro em quatro partes.

Agência Estado |

Na noite de ontem ela foi levada a São Paulo, onde passou por uma cirurgia no hospital Sírio Libanês e teve a companhia de Sarney, que dormiu no hospital. Marly Sarney passa bem e deve receber alta nos próximos dias.

A primeira semana após o recesso parlamentar poderá ser decisiva para José Sarney, que enfrenta quatro denúncias e uma representação no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. As denúncias foram apresentadas pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que acusa o peemedebista de responsabilidade na edição de atos secretos no Senado, e também pela suposta participação em um esquema de desvio de dinheiro de patrocínio cultural recebido pela Fundação José Sarney.

Já o PSDB estuda apresentar novas representações contra José Sarney baseadas nas denúncias feitas separadamente por Virgílio. A última denúncia apresentada por Virgílio, na semana passada, foi motivada pelas revelações feitas pelo jornal "O Estado de S.Paulo" de trechos de gravação feita pela Polícia Federal, com autorização judicial, nos quais José Sarney aparece intercedendo pela contratação do namorado de sua neta, que acabou sendo contratado pelo Senado por ato secreto.

Sarney pode ainda responder a processo a partir de uma representação registrada pelo PSOL, que provoca o Conselho de Ética a avaliar a responsabilidade do presidente do Senado na edição dos atos que foram usados pela administração da Casa para nomear parentes de senadores e aumentar rendimentos de funcionários, mas que foram mantidos em sigilo pelos últimos 14 anos. Na próxima semana, DEM, PR e PDT também reunirão suas bancadas para decidir se representarão ou não contra Sarney.

Sarney tem votos suficientes para enfrentar a situação, pois o governo possui dez das 15 vagas no Conselho de Ética. Além disso, o presidente da comissão, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), é aliado do líder peemedebista Renan Calheiros (AL) e teria sido escalado para minar um eventual processo contra Sarney, uma vez que o cargo lhe dá a prerrogativa de arquivar processos sumariamente, sem consultar os demais conselheiros.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG