Sarney conversa com Lula e Dilma sai em defesa de senador

BRASÍLIA (Reuters) - No mesmo momento em que José Sarney (PMDB-AP) era recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, saiu em defesa do presidente do Senado. Dilma disse que é contra personalizar a crise por que passa a instituição na figura de Sarney e que o partido Democratas também deve ser responsabilizado pela sequência de denúncias que atingiu a Casa por ter participado do comando durante um largo período.

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"Não concordo em demonizar o presidente Sarney e responsabilizá-lo por toda esta crise. Não concordo com o tratamento desequilibrado que dão ao presidente Sarney", disse Dilma a jornalistas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória do governo.

A ministra defendeu a investigação das denúncias, mas disse que não iria dar receituário sobre isso, ou interferir na autonomia de outros poderes.

"O modelo é estranhamente culpabilizar uma pessoa por uma coisa que tem mais de 15 anos e por uma prática que tem mais de 15 anos, como se ela fosse a responsável", acrescentou. "Se a Casa foi dirigida na primeira-secretaria pelo DEM, o DEM também tem que prestar contas."

Para a ministra, existe um modelo no Brasil "que dá pizza e que é esconder a questão debaixo do tapete. É assim: pega a pessoa liquida e a torna responsável por tudo".

Após ser recebido por Lula, Sarney deixou o CCBB sem dar entrevistas. Dilma confirmou que conversou com Sarney pelo telefone e pessoalmente esta semana.

Na quinta-feira, Lula procurou convencer a bancada do PT de que a aliança com o PMDB de Sarney é essencial para manter a governabilidade. O PMDB também é visto como indispensável no apoio à candidatura de Dilma à sucessão presidencial.

PSDB, DEM e PDT pediram o afastamento temporário de Sarney do comando do Senado.

(Reportagem de Fernando Exman)

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