Sarney admite que soube em maio sobre atos secretos

BRASÍLIA - Após a declaração do ex-diretor Ralph Siqueira ao jornal O Estado de S.Paulo, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), admitiu neste sábado que soube em maio da descoberta de atos secretos na Casa.

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O presidente do Senado José Sarney



Em discurso na tribuna em 16 de junho, Sarney foi taxativo: "Eu não sei o que é ato secreto". Em entrevista ao 'Estado', Siqueira disse que avisou Sarney, num encontro entre 28 e 29 de maio, da existência de atos secretos.

O senador confirmou também outra declaração dada por Siqueira: a de que todos os atos secretos foram publicados, sem alarde, entre abril e maio deste ano. A manobra só foi revelada em reportagem do 'Estado' no dia 10 de junho. Em sua nota, Sarney não explica os motivos que levaram a administração da Casa a inserir mais de 500 atos secretos de maneira encoberta e sem qualquer investigação preliminar, inclusive antes dos trabalhos da comissão de sindicância que analisou o assunto.

O senador diz, na nota, que a declaração de Siqueira - ex-diretor de Recursos Humanos - "não constitui nenhuma novidade". Assessores de Sarney entraram em contato com Ralph Siqueira neste sábado. Negociaram com ele a divulgação de uma nota oficial por parte do servidor para tentar amenizar o impacto da entrevista dada ao 'Estado'. Siqueira deve sofrer um processo disciplinar por ter publicado os atos secretos na surdina. Ele avalia agora apresentar uma versão que não prejudique Sarney e, por outro lado, o ajude no processo disciplinar dentro do Senado.

AE
Manifestantes em Belo Horizonte
Sarney afirma também que, na data de seu discurso em 16 de junho, já havia recebido o relatório final da comissão que analisou os atos secretos: "Em 16 de junho, esta Comissão encerrou seus trabalhos".

O presidente do Senado recebeu, no máximo, um relatório preliminar. A comissão encerrou seus trabalhos no dia 19 de junho, três dias depois de seu discurso. Naquela sexta-feira, a servidora Dóris Peixoto, integrante da comissão na época e hoje diretora de Recursos Humanos, entregou a assessores do senador o relatório e um CD com os atos secretos. A conclusão dos trabalhos foi divulgada à Mesa Diretora somente no dia 23, uma semana depois do discurso de Sarney.

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