Sargento que assumiu ser gay é preso novamente

O sargento Fernando Alcântara de Figueiredo, de 34 anos, que assumiu recentemente manter um relacionamento homossexual com o companheiro de farda Laci Marinho de Araújo, de 36 anos, desde 1997, foi novamente preso hoje. Ele havia sido solto no sábado após cumprir oito dias de detenção sob a acusação de ter infringido normas militares.

Agência Estado |

De acordo com nota à imprensa divulgada pelo Exército, o sargento cumpre punição de quatro dias de detenção "por ter se apresentado com o uniforme em desacordo com as disposições em vigor, em entrevista concedida à revista Época ".

O Exército destaca que a punição será cumprida no Batalhão da Guarda Presidencial (BGP) sem prejuízo do exercício de suas funções regulamentares no Hospital Geral do Exército. Diariamente, ao final do expediente, Alcântara será encaminhado BGP, onde passará a noite.

De acordo com o secretário geral do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ariel de Castro Alves, a acusação de uso de uniforme incompleto nas imagens publicadas pela revista não procede, pois "os trajes utilizados para a entrevista não eram parte da farda, mas vestimentas que podem ser compradas e qualquer lugar".

Alcântara responde atualmente a três processos diferentes - por ter aparecido sem o uniforme completo nas imagens publicadas pela revista, ter faltado ao trabalho para participar de um programa de TV em São Paulo e não ter informado ao Exército o paradeiro de seu companheiro Laci de Araújo, que estava foragido, acusado de deserção. Segundo o sargento, ele foi informado que a detenção de oito dias, cumprida semana passada, referia-se a apenas uma das acusações.

'Homofobia'

Na avaliação de Alves, a intenção do Exército é "calar a boca de Alcântara". "Estão tentando censurá-lo porque está denunciando a grave homofobia que há dentro das Forças Armadas", afirmou. Ele ainda disse que "é necessária a intervenção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no caso, para cessar esse tipo de preconceito". No comunicado, o Exército reafirmou que cumpre rigorosamente os instrumentos legais, agindo com impessoalidade e observando os direitos pétreos previstos na Constituição Federal.

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