Sargento homossexual é preso outra vez em Brasília

BRASÍLIA - O sargento Fernando Alcântara de Figueiredo foi preso novamente nesta segunda-feira, 23, por ter se apresentado com o uniforme em desacordo com as disposições em vigor, em entrevista concedida à revista Época, na qual assumiu a união homoafetiva com o também sargento Laci Araújo, que está preso desde o dia 4.

Redação com agências |

AE
Alcântara (à esq.) foi preso novamente hoje
Alcântara havia sido libertado no sábado (21), após cumprir pena de oito dias, sob a acusação de se ausentar para ir a São Paulo com o parceiro sem avisar os superiores e omitir o paradeiro de Laci Araújo, quando ele foi considerado desertor.

A nota do Comando Militar do Planalto, que relata a prisão, informa que foram concedidos ao militar os direitos da ampla defesa e da oportunidade ao contraditório.

O Exército destaca que a punição será cumprida no Batalhão da Guarda Presidencial (BGP) sem prejuízo do exercício de suas funções regulamentares no Hospital Geral do Exército. Diariamente, ao final do expediente, Alcântara será encaminhado BGP, onde passará a noite.

De acordo com o secretário geral do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ariel de Castro Alves, a acusação de uso de uniforme incompleto nas imagens publicadas pela revista não procede, pois "os trajes utilizados para a entrevista não eram parte da farda, mas vestimentas que podem ser compradas e qualquer lugar".

Alcântara responde atualmente a três processos diferentes - por ter aparecido sem o uniforme completo nas imagens publicadas pela revista, ter faltado ao trabalho para participar de um programa de TV em São Paulo e não ter informado ao Exército o paradeiro de seu companheiro Laci de Araújo, que estava foragido, acusado de deserção. Segundo o sargento, ele foi informado que a detenção de oito dias, cumprida semana passada, referia-se a apenas uma das acusações.

'Homofobia'

Na avaliação de Alves, a intenção do Exército é "calar a boca de Alcântara". "Estão tentando censurá-lo porque está denunciando a grave homofobia que há dentro das Forças Armadas", afirmou. Ele ainda disse que "é necessária a intervenção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no caso, para cessar esse tipo de preconceito". No comunicado, o Exército reafirmou que cumpre rigorosamente os instrumentos legais, agindo com impessoalidade e observando os direitos pétreos previstos na Constituição Federal.

* Com informações da Agência Brasil e Agência Estado

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