Sargento gay foi detido novamente, diz companheiro

O sargento do Exército Laci Marinho de Araújo teria sido novamente detido na noite de ontem, num hospital militar em Brasília, informou o companheiro dele, o ex-militar Fernando de Alcântara Figueiredo. Os dois foram os primeiros militares a assumir publicamente o homossexualismo.

Agência Estado |

Segundo Figueiredo, o parceiro foi convocado a se apresentar no hospital militar, onde trabalha, e lá ficou. "Oito homens da Polícia do Exército fortemente armados nos aguardavam para fazer a prisão", contou Figueiredo.

O chefe de Comunicação Social do Comando Militar do Planalto, coronel Walber Pinheiros, nega que Araújo esteja preso e disse não ter informações sobre a presença de policiais no hospital. "Ele estava ausente do trabalho há cerca de cinco dias. Como se apresentou alegando problemas de saúde, foi internado para avaliação de seu estado clínico", disse Pinheiros. O coronel afirmou que não há relação entre os processos a que Araújo responde e a passagem dele pelo hospital.

Figueiredo, no entanto, diz que o Exército se recusou a aceitar um laudo assinado por uma junta médica militar em agosto atestando que Araújo sofre de "transtorno emocional grave". O Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) recomendou, no dia 3, que o Exército considerasse o documento e concedesse o afastamento a Araújo. Figueiredo foi autorizado a ficar no quarto com o companheiro.

Araújo responde a uma ação na Justiça Militar por deserção e a três processos administrativos por transgressão - por ter concedido entrevista à revista Época em que revelou o relacionamento entre ele e Figueiredo e por ter viajado a Natal (RN) sem autorização de seus superiores quando estava em licença médica. Ele esteve preso por três semanas em junho por deserção, mas obteve um habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). O sargento alega que se afastou do serviço por problemas de saúde.

Figueiredo também esteve preso, administrativamente e por oito dias, antes de decidir deixar o Exército. Ele era acusado de transgressões semelhantes às de Araújo - ter encoberto o paradeiro do companheiro e aparecido na mídia sem autorização e com uniforme militar incompleto.

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