BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou nesta quinta-feira que o sargento Laci Marinho de Araújo entrou nesta quarta com um pedido de habeas-corpus na Corte. Ele está preso por deserção desde 4 de junho.

AE
Sargento Laci Araújo, que está preso
A prisão aconteceu depois de Araújo ter assumido em entrevista à revista Época um relacionamento homossexual de dez anos com o também sargento do Exército Fernando Alcântara de Figueiredo.

Sargento vai deixar o Exército

Preso desde o último dia 4 de junho por deserção, Laci Marinha pretende deixar o Exército após responder processo na Justiça Militar. A principal razão seria a pressão que ele tem sofrido ao assumir publicamente, no mês passado, relacionamento amoroso com o então sargento Fernando Alcântara. Alcântara pediu o desligamento das Forças Armadas alegando perseguição dentro da instituição.

Para ele, não há mais possibilidade de Laci permanecer no Exército, mesmo correndo o risco de não conseguir outro emprego devido aos seus problemas de saúde. Já conversamos sobre isso. O Laci vai pedir baixa. Ele precisa sim do dinheiro, mesmo sendo pouco. Ele é doente e quem vai empregar uma pessoa doente? Mas é muita pressão. Não tem condição de continuar, acrescentou o ex-sargento.

Caso vai à ONU

Figueiredo entregou hoje ao Conselho dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) de São Paulo documentos para comprovar episódios de discriminação dentro do Exército.

Os supostos abusos sofridos por ele e por seu companheiro, o sargento Laci Marinho de Araújo, comporão uma denúncia à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Segundo o advogado do Condepe, Ariel de Castro Alves, o material inclui gravações de áudio em que oficiais ofendem e zombam do casal.

Para Alves, o casal é vítima de homofobia. "Fernando foi quase que obrigado a pedir baixa e Laci está preso por perseguição", afirmou. "Deserção é só um pretexto."

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