Sargento é condenado a seis meses de prisão por crime de deserção

BRASÍLIA - O sargento Laci Araújo, primeiro gay assumido dentro das Forças Armadas, foi condenado nesta quinta-feira a seis meses de prisão pelo Superior Tribunal Militar (STM) pelo crime de deserção. A decisão foi tomada por um Conselho Penal de Justiça do Exército por quatro votos a um. O voto pela absolvição de Laci foi da juíza Zilah Maria Callado Fadul Peterson, única civil a compor o colegiado.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Acordo Ortográfico Laci foi preso em 4 de junho deste ano, após assumir publicamente um relacionamento homossexual de 11 anos com outro sargento do Exército, Fernando Alcântara. Laci já cumpriu 58 dias de detenção e foi solto graças a um habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele poderá recorrer da decisão desta quinta em liberdade.

Segundo acusação do Ministério Público Militar, Laci faltou ao trabalho, no Hospital Geral de Brasília, entre 3 e 12 de abril deste ano sem autorização do Exército, caracterizando a deserção.

Em sua defesa, Laci alega sofrer transtornos psicológicos desde 2003 e garante ter apresentado atestado médico assinado por uma neurologista do Hospital das Forças Armadas (HFA) confirmando sua incapacidade física e psicológica de trabalhar.

O atestado, porém, foi contestado por uma junta médica militar formada por um ortopedista, um cirurgião gastrointestinal, uma ginecologista e dois clínicos gerais.

Para Laci e seu companheiro, Fernando Alcântara, o Exército os perseguem por não aceitar a homossexualidade de ambos. Alcântara chegou a pedir baixa do Exército e não faz mais parte do quadro das Forças Armadas.

Tenho a convicção de que não houve a deserção, mas pelo menos houve uma sensatez do Conselho de assumir que o Laci está doente, disse Alcântara ao final do julgamento.  Laci tem problemas e sofre perseguição homofóbica. São fatores que podem influenciar na análise do crime, observa.

Crise Nervosa

Durante o julgamento, nesta quinta-feira, Laci Araújo teve uma crise nervosa e foi retirado da sala de audiências. Ele acusou o Exército de torturá-lo e afirmou que os torturadores estariam presentes à sessão. Durante a explanação da defesa, Laci começou a chorar e gritou: Eu estou doente, eu sempre estive doente. Vocês são todos palhaços.

A juíza Zilah Maria Petersen pediu calma ao réu, mas Laci retrucou: Se quiser mande me prender. Pode mandar me matar. Mandem me torturar. Apontando para a platéia, Laci completou: Os torturadores estão bem aí.

Laci foi encaminhado ao serviço médico do local e ainda está sob efeito de sedativos.

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