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Sargento diz que Guerra ao Terror roubou sua história

SOUTHFIELD ¿ Um sargento do Exército norte-americano que abriu processo contra os produtores do filme Guerra ao Terror disse na quarta-feira que se sentiu traído por ver sua história ser usada indevidamente.

Reuters |

Jeffrey S. Sarver, de 38 anos, disse em entrevista coletiva que teria ficado contente em servir como consultor do roteirista Mark Boal e da diretora Kathryn Bigelow, mas nunca foi chamado para isso. "Eu me senti um pouco deixado de fora. Não conhecia meus direitos", afirmou.

Logo depois de Sarver iniciar a ação judicial, na terça-feira, a distribuidora do filme, a Summit Entertainment, divulgou nota reiterando que "Guerra ao Terror" faz um "relato ficcional" sobre o trabalho de um esquadrão antibombas na guerra do Iraque.

Como jornalista, Boal acompanhou a unidade de Sarver no Iraque e em 2005 escreveu um artigo para a revista Playboy, intitulado "O Homem no Traje Antibombas", que tinha Sarver como personagem principal.

Geoffrey Fieger, advogado de Sarver, disse que o protagonista do filme, Will James, é uma clara representação do seu cliente, inclusive no codinome "Blaster One" ("destruidor 1"). "Se alguém lhe disser que o sargento Sarver não é Will James, essa é uma declaração risível", disse Fieger.

"Guerra ao Terror", aclamado pela crítica, disputa nove Oscar no domingo, inclusive o de melhor filme. Fieger não quis revelar qual indenização Sarver pleiteia. Ele disse que a Summit e os produtores do filme poderiam ter evitado o processo se identificassem o sargento com inspiração do enredo.

"É uma prática comum. Agora, sendo apanhados, vemos esse tipo de coisas que esses produtores de cinema estão dispostos a fazer para não terem de pagar por seus erros."

Fieger disse que durante meses manteve contato com a Summit e com o produtor Nicholas Chartier. O advogado entregou a jornalistas cópia de um email do final de dezembro, atribuído a Chartier, no qual ele afirma nunca ter ouvido falar de Sarver.

"Todo mundo fala que é um dos melhores filmes do ano, será que ele não gostou da pipoca quando assistiu ao filme?," teria escrito o produtor. "Nunca fiz qualquer ação flagrantemente injusta contra ele. Nunca ouvi falar dele... Será que eu roubei a namorada dele? Nunca ouvi falar dele."

Chartier também foi o autor de emails a membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, pedindo votos para "Guerra ao Terror" no Oscar. Por causa disso, ele foi banido da cerimônia de domingo.

Boal disse na terça-feira ao jornal Los Angeles Times que conversou com mais de cem soldados durante a pesquisa. "Misturei tudo o que aprendi de modo a que fosse autentico, mas que também fizesse uma história dramática", disse.

Para Fieger, o argumento do roteirista "é absurdo, já que a única pessoa com quem basicamente ele esteve foi o sargento Sarver - ponto."

Sarver, radicado no Tennessee, está no Exército há 18 anos.

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