ROMA ¿ O escritor português José Saramago, ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1998, chamou o papa Bento 16 de cínico e disse que a insolência reacionária da Igreja precisa ser combatida com a insolência da inteligência viva. O autor está em Roma para promover seu novo livro, Caim, que será lançado nesta quinta-feira (15).

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José Saramago

"Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas seu absoluto cinismo intelectual", afirmou Saramago, em um debate com o filósofo italiano Paolo Flores D'Arcais, que hoje lança o livro "Il Fatto Quotidiano".

Durante a conversa, Saramago afirmou que sempre foi um ateu "tranquilo", mas que agora está mudando de ideia. "As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só tem interesse no poder", disse.

Segundo Saramago, a Igreja não se importa com o destino das almas e sempre buscou o controle de seus corpos. Perguntado se o pouco compromisso dos escritores e intelectuais poderia ser uma das causas da crise da democracia, o escritor disse que sim. Porém, disse que este não seria o único motivo, já que toda a sociedade encontra-se nesta condição, o que provoca uma crise de autoridade, da família, dos costumes, uma crise moral em geral.

Saramago destacou que o fascismo está crescendo na Europa e mostrou-se convencido de que, nos próximos anos, ele "atacará com força". Por isso, ressaltou, "temos que nos preparar para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão alimentando".

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