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São Paulo respira no ritmo da ioga

A despeito da poluição, do trânsito caótico e do ar seco, São Paulo respira, desde esta terça-feira, 12, no ritmo zen da ioga. Ou melhor, do yôga. E também da ayurveda, a milenar medicina indiana. Uma série de eventos busca dar mais informações a quem já é adepto e apregoar, entre não iniciados, os benefícios dessas duas antigas práticas. http://colunistas.ig.com.br/mauriciostycer/ target=_blankVeja o blog de Mauricio Stycer

Mauricio Stycer, especial para o Último Segundo |

A mais importante atividade teve início hoje ¿ o 1º Congresso Internacional de Yôga e Ayurveda, com a presença de 27 conferencistas de dez países. Na quinta-feira, 14, o grupo Krishna Das apresenta a sua música hipnótica em show no Clube Pinheiros. E no domingo, 17, o parque Ibirapuera recebe, pela terceira vez, uma multidão para praticar ioga, meditar e ouvir música no evento Yôga pela Paz 2008. 

Antes de começar, um parêntesis: embora o dicionário Houaiss registre ioga da forma aportuguesada ¿ e como substantivo feminino ¿ os praticantes, no Brasil, adotaram a forma clássica, com y e como substantivo masculino: o yôga. Como já notaram alguns estudiosos, não deixa de ser irônico que uma palavra que, literalmente, significa união provoque polêmica até em sua grafia.

Se o máximo que você sabe de ioga e ayurveda é que Madonna é uma praticante, entrar neste mundo pode reservar algumas surpresas. A primeira é que muitas destas práticas podem, em vez de ajudar, causar danos à saúde. Quem fez o alerta foi o mestre italiano Amadio Bianchi.  

Túnica abóbora, rabo de cavalo, Bianchi é praticante há 42 anos e deu uma aula de massagem para os congressistas. Usando o próprio corpo, os joelhos, os pés, Bianchi aplicou 84 manobras diferentes numa felizarda cobaia brasileira. Foi relaxante até para quem assistiu na platéia. Mas o terapeuta alertou: Isso não é uma disciplina self-service. Recomendo o máximo de prudência. Você pode machucar alguém, se não tiver preparação. 

O médico José Ruguê, uma das referências em medicina ayurvédica no Brasil, reiterou o alerta de Bianchi. Algumas práticas só podem ser avalizadas por médicos ¿ outras, mais simples, como terapias corporais ou dietas alimentares, podem ser preconizadas por terapeutas com outro tipo de formação. O problema, lembrou Ruguê, é que não existe curso reconhecido para especialização de médicos em ayurveda no Brasil ¿ só nos Estados Unidos, Europa e, naturalmente, Índia. 

Ruguê estima em 500 o número de profissionais trabalhando com ayurveda no Brasil ¿ cerca de 10%, médicos. Ele recomenda a quem se interessar pela prática que questione o terapeuta sobre a sua formação. 

A indiana Shambhavi Chopra fez a palestra mais concorrida desta terça-feira. Tantra, a adoração da Devi e seus aspectos. Uma palestra concorrida, mas difícil de assimilar por não-iniciados. Shambhavi Chopra é autora de Yogini ¿ Revelando a Deusa Interior, no qual ela explica que o feminino divino existe dentro de todos nós. Ela também fala da importância de aprender a silenciar o seu mundo interior. Observando uma cachoeira, por exemplo.

Outra surpresa que o congresso oferece a quem não é do ramo é a rígida alimentação, segundo os princípios da ayurveda. O cardápio do almoço faria muita gente desmaiar de fome: uma salada verde orgânica, arroz com vegetais, grão de bico e brócolis com mandioquinha. Tudo isso temperado pelo pó que melhor combina com a sua personalidade ¿ vata, pitta ou kapha, um dos três biótipos considerados pela ayurveda. Este repórter, seguindo a recomendação da professora Márcia de Luca, temperou o seu prato com vata (segundo ela, indicado para pessoas magras) ¿ e gostou.   

Uma das responsáveis pela popularização da ioga no Brasil, Márcia de Luca está por trás da organização dos eventos desta semana e, não menos importante, aproveita para adubar negócios inspirados na ioga. Em parceria com Melissa Pirani, ex-modelo e hoje professora de ioga, Márcia também está de olho na classe AAA. Ela acaba de lançar a grife Daslu Sport by Márcia de Luca, uma roupa confortável que você possa usar na ioga e depois sair para almoçar, explica ela. A gente sentia falta de uma coisa mais transada, acrescenta Melissa. A coleção está sendo apresentada em desfiles na Daslu entre terça e quinta, e só será vendida na butique de luxo e na loja do shopping Cidade Jardim.

Convém advertir, finalmente, a quem se aventurar pelo congresso de ioga, que prossegue até quinta-feira na Câmara Americana de Comércio, para não se enganar com uma atividade chamada coffee break, que ocorre entre as palestras. No intervalo para café do mundo da ioga só se serve chá.

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