deixou 11 pessoas mortas. O congestionamento chegou a 224 km, o transporte público ficou ainda mais lotado de pessoas que não conseguiam voltar para a casa, bairros ficaram sem energia, árvores caíram e cerca de 50 pontos de alagamento foram registrados." / deixou 11 pessoas mortas. O congestionamento chegou a 224 km, o transporte público ficou ainda mais lotado de pessoas que não conseguiam voltar para a casa, bairros ficaram sem energia, árvores caíram e cerca de 50 pontos de alagamento foram registrados." /

São Paulo em alerta máximo para as enchentes neste verão

São Paulo, 3 de dezembro, 15h30. Mais uma vez, a capital e a Grande SP pararam após um temporal que atingiu São Paulo por cerca de três horas. A força da água provocou deslizamento de terra em várias regiões e http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/12/04/sao+paulo+registra+15+mortes+apos+temporal+9199646.html target=_topdeixou 11 pessoas mortas. O congestionamento chegou a 224 km, o transporte público ficou ainda mais lotado de pessoas que não conseguiam voltar para a casa, bairros ficaram sem energia, árvores caíram e cerca de 50 pontos de alagamento foram registrados.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

AE
Cidade fica alagada e trânsito para

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), apenas neste dia choveu 25% do esperado para o mês de dezembro. Foi a segunda enchente registrada apenas esta semana na cidade e o cenário ¿ a poucas semanas para o verão - é preocupante. O sistema de retenção de água já está lotado, não tenho a menor dúvida de que teremos mais enchentes, afirma a arquiteta urbanista Raquel Rolnik, da Universidade de São Paulo (USP).

Especialistas ouvidos pela reportagem do iG destacam que com as diversas obras em andamento na capital, impasse sobre a verba destinada ao lixo, pluviosidade acima do normal nas duas últimas estações e previsão de mais chuva para os próximos meses, os paulistanos podem se preparar que o verão promete mais enchente.

El Niño de volta

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a  previsão para o trimestre de dezembro de 2009 a fevereiro de 2010 é de chuva acima da média nas regiões Sul e Sudeste do País.

O meteorologista e pesquisador do grupo de mudanças climáticas do Inpe Marcos Sanches afirma que o El Niño é um dos fatores que explicam a ocorrência de chuvas mais frequentes e intensas. Caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o El Niño muda os padrões dos ventos e afeta os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias e está influenciando o Brasil este ano.

Outro possível motivo para as chuvas mais fortes é a própria mudança climática. Conforme Sanches, desde a década de 80, principalmente, são verificados eventos extremos (fortes chuvas, tornados, furacões, secas prolongadas) no mundo. No Sul do Brasil, eles aconteciam a cada dois anos em média, mas estão mais comuns. As cidades não conseguem se recompor e a impressão é que os eventos aumentaram de intensidade, quando, na verdade, foram de frequência, explica.

Com as mudanças climáticas, os cálculos de drenagem de antigamente não valem mais. A cidade tem mais água chegando, porém, está menos preparada. Estamos criando a receita de um desastre, afirma o arquiteto urbanista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Renato Pellegrino, em entrevista ao iG.

Ocupação insustentável e condenável

AE
Obras de ampliação na Marginal Tietê
Os especialistas também criticam a construção de novas pistas na Marginal Tietê. Além de considerarem que obra é uma medida de incentivo ao transporte individual e que não resolverá o problema do trânsito na cidade, eles afirmam que a medida aumentará ainda mais o risco de enchentes. Estamos ocupando o espaço de extravasamento do rio. Não é que o rio alaga, nós é que estamos no espaço dele, afirma Pellegrino.

A obra, que teve início em junho, deve ser entregue em março de 2010, e prevê a criação de três novas faixas para o tráfego de cada lado, quatro pontes, três viadutos e um parque linear. O projeto foi orçado em R$ 1,3 bilhão, sendo que R$ 1,1 bilhão virá do Tesouro Estadual e os outros R$ 200 milhões das concessionárias de rodovias que se ligam à Marginal Tietê.

Para Pellegrino, com a Nova Marginal o governo perdeu a oportunidade de fazer justamente o contrário: investir em obras no leito do rio contra enchentes. Poderia ser criado um sistema de drenagem com uma valeta contínua que poupasse as pistas de serem inundadas, afirma. O que vai acontecer com as faixas de tráfego quando tiver uma chuva forte?, questiona, e responde a própria pergunta: vamos criar uma situação de catástrofe.

No entender da arquiteta Raquel Rolnik, a construção da marginal é gravíssima, pois insiste em um modelo de ocupação do solo insustentável e condenável. Se a área fosse livre, encheria na várzea e não em cima das casas e das pessoas, gerando perdas econômicas. A marginal deveria ser desconstituída aos poucos e não ampliada, afirma.

Outro ponto criticado é a própria impermeabilização do solo e corte de pelo menos 1.447 árvores ao longo dos 23 km de leito. Algumas delas, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente diz que serão replantadas em outros lugares, mas, até mesmo a pasta admite que este foi um dos principais impactos negativos da obra: o aumento da impermeabilização numa área já quase totalmente impermeabilizada.

Boom imobiliário

O crescimento econômico não acontece de forma integrada ao restante da cidade. Prova disso, segundo os especialistas, é o boom imobiliário vivido por São Paulo nos últimos anos com a facilidade de pagamento para a aquisição da casa própria. Em 2007, de acordo com dados do Secovi, o Sindicato da Habitação, foram lançadas 39 mil unidades na cidade, frente 26 mil do ano anterior. Em 2008, foram outras 34,5 mil, e a previsão é que 2009 feche o ano com 28 mil.

Pegar uma área vegetada para a construção é tirar um ponto de escoamento de água. Ampliando as áreas pavimentadas você está necessariamente aumentando a água que chega aos córregos, afirma Paulo Pellegrino.

Além disso, segundo ele, muitos destes prédios estão em desacordo com a lei, já que possuem garagens profundas, que chegam a atingir o lençol freático. Quando chove e o lençol enche, alguns bombeiam a água para a rua para não serem alagados. Assim, prejudicam a capitalização de água e favorecem as enchentes, diz.

Outro ponto criticado é a revisão do Plano Diretor proposta pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), que, conforme avaliação da Promotoria de Habitação e Urbanismo, também deve colaborar para as inundações. O projeto está em discussão desde o início do ano na Câmara Municipal e prevê a criação de estoques imobiliários em 12 regiões já saturadas pelos parâmetros estabelecidos no plano de 2002. Entre as áreas lotadas, estão Cambuci e Liberdade, no centro; Morumbi e Campo Grande, na zona sul e Vila Leopoldina e Jaguaré, na zona oeste.

De acordo com Raquel Rolnik, quanto mais gente morar em uma área já impermeabilizada para evitar desmatar outras, melhor. No entanto, ela explica que o atual modelo existente em São Paulo não adensa do ponto de vista demográfico. Todos os distritos onde avançou a verticalização, perderam população em números absolutos. Os apartamentos são grandes, com muita área construída, muita garagem e pouca gente, considera, acrescentando que, desta maneira, as áreas verticalizadas tornam-se mais caras e parte da população é expulsa para a periferia, desmatando mais.

Problema do lixo

Futura Press
Lixo se acumula pelas ruas do centro de São Paulo

Em agosto, o prefeito Gilberto Kassab anunciou o corte de 20% da verba destinada à varrição das ruas da cidade e de 10% na verba da coleta de lixo, justificando queda na arrecadação municipal. Deixaram de ser limpos o equivalente a 1.388 quilômetros de vias e o resultado, em poucos dias, foi ruas tomadas por lixo.

No dia 8 de setembro, uma forte chuva deixou a cidade submersa. Foi a maior precipitação já registrada no mês de setembro desde 1943, quando começaram as medições do Centro de Previsões e Estudos Climáticos (CPTEC), do Inpe. Apesar da diminuição da limpeza, Kassab evitou comentar o corte de verba e culpou os antecessores pelas enchentes. A Prefeitura está preparada de acordo com a dimensão dos investimentos na cidade nos últimos 50 anos", disse.  

Para os especialistas, no entanto, há, sim, relação entre diminuição da limpeza e aumento dos alagamentos. Investir em limpeza não resolve o problema, mas ajuda a não piorá-lo. O lixo não coletado acaba sendo levado para bueiros, rios e córregos, piorando a condição de escoamento, afirma Raquel.

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