Repórter do iG relata cenário da rodovia Imigrantes, em São Paulo, depois do megaengavetamento envolvendo cerca de 300 veículos

"Uma coluna de aço, borracha e ferro se estende ininterruptamente pela Imigrantes, onde aconteceu o maior engavetamento da história da rodovia, na tarde desta quinta-feira, em São Paulo. São dez minutos a pé para percorrer o trecho de carros espremidos entre caminhões e pedaços de ferro. Não há brecha entre os veículos e é impossível saber onde começa a frente de um caminhão, a traseira de um carro, o que é uma porta, um bagageiro. Há apenas uma única peça gigante e mal cheirosa. O cenário é de caos.

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Logo que cheguei ao quilômetro 41, à tarde, senti o cheiro de borracha queimada. Foi a primeira – e imediata – sensação desagradável. Na medida em que o tempo passou, o cheiro dominante é o de diesel. Parece que estou dentro de uma garagem gigante e todos os carros estão ligados. Por mais que o vento frio, que torna os 10ºC ainda mais gelados, sopre ao longo deste megaengavetamento, o cheiro não vai embora. Ele impregnou as roupas e o cabelo.

Por causa da neblina, não consigo enxergar um metro à minha frente, embora as dezenas de veículos da polícia, dos bombeiros e do resgate estejam com a luz bem acesa. Para piorar, os olhos lacrimejam com a neblina espessa. Mal dá para identificar quem vem do outro lado da pista ou quem está bem perto. Só é possível distinguir um carro prensado num caminhão quando se chega muito perto.

Há muito barulho aqui: barulho dos carros trabalhando, dos guinchos, das sirenes, os caminhões sendo arrastados, o barulho que surge do atrito de metal. É como estar no meio de uma obra. Mas o trabalho meticuloso é das equipes de resgate que tentam desmontar a impressionantel peça de metal formada ao longo da rodovia."

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