Maior ponto de vendas de produtos eletrônicos de São Paulo, a hoje caótica Rua Santa Ifigênia, no centro, deve ganhar cara nova neste ano, quando completa 200 anos de existência. O bicentenário será comemorado em abril, e tanto a Prefeitura quanto comerciantes locais prometem dar seus presentes à via e transformá-la, até o fim do ano, em um moderno bulevar de compras: da Igreja Santa Ifigênia até a Avenida Duque de Caxias, em toda a sua extensão de 800 metros.

A Santa Ifigênia é a única rua da região da Nova Luz (antiga Cracolândia) a ter dois projetos de reforma, que deverão se complementar. O da Prefeitura de São Paulo incluiu o endereço entre as 16 ruas e avenidas que ganharão revitalização prevista no projeto Nova Luz. Os trabalhos já começaram, pela Rua General Couto de Magalhães.

O outro programa é particular e foi criado pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) da via, que representa 3 mil vendedores. Foi idealizado pelo arquiteto Márcio Lupion, responsável pela reurbanização que homenageou os cem anos da imigração japonesa, no bairro da Liberdade, com uma equipe de outros 22 arquitetos. O projeto vem passando por avaliação da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb).

Uma comissão de empresários da rua está em contato com o Departamento de Patrimônio Histórico para verificar a viabilidade de utilizar a Lei Rouanet - que permite deduções fiscais para empresas que financiarem projetos culturais - para custear parte das reformas. Outros recursos seriam captados com empresas.

No início do mês, uma comissão de empresários esteve no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado, para apresentar o projeto ao secretário estadual de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin. O secretário prometeu analisar o projeto e se empenhar em ajudar a captar recursos.

Os comerciantes da Santa Ifigênia resolveram investir em seu próprio projeto de reurbanização porque dizem querer mais do que classificam como um "tapa" do governo municipal, que fará o alargamento das calçadas e troca de piso. "Ajuda, mas só isso não é revitalização", diz Robinson Ares, presidente da CDL Santa Ifigênia, há 40 anos na região. "Queremos algo mais positivo."

A intenção, segundo ele, é recuperar o charme que a Rua Santa Ifigênia tinha nas primeiras décadas do século passado, quando a região era residência de barões do café. Para aproveitar o embalo da reforma municipal, os comerciantes pretendem remodelar fachadas, mas sem perder as características históricas de cada imóvel, e plantar árvores da espécie cipreste - hoje, não há uma planta sequer em toda a extensão da Santa Ifigênia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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