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Salles mostra luta de 4 irmãos em Linha de Passe

SÃO PAULO ¿ Dez anos após Central do Brasil, estréia na sexta-feira nos cinemas do Brasil Linha de Passe, novo filme de Walter Salles. Apesar de estar promovendo seu novo filme, Walter Salles admite que o tema de Linha de Passe - o conflito da periferia das grandes cidades com a polícia e as classes mais ricas - já está esgotado.

Agência Estado |

Minha contribuição para o assunto é essa, acabou. Sei que hoje é preciso ampliar o leque de assuntos e não só falar de classes pobres em favelas e bairros da periferia, diz Salles, que embora esteja trabalhando há quatro anos em "Linha de Passe", chega às telas só depois de "Era uma Vez...", de Breno Silveira, e "Maré - Nossa História de Amor", de Lúcia Murat, recém-lançados.

O assunto desgastado nem foi o problema principal da dupla Walter Salles e Daniela Thomas. Na véspera de filmar "Linha de Passe", os diretores tiveram uma rixa com João Emanuel Carneiro porque ele colocou um personagem motoboy na novela "Cobras & Lagartos" (2006). O problema é que Carneiro era colaborador do roteiro de "Linha de Passe" antes da novela e no filme constava um motoboy. Foi quando chamamos o Bráulio Mantovani para dar um fôlego novo ao roteiro e decidimos não assassinar a idéia do filme, conta Salles.

Apesar disso tudo, Walter e Daniela entregam uma história envolvente, que venceu o Festival de Cannes - levou prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni, sobre quatro irmãos da periferia de São Paulo que tentam reinventar suas vidas de maneira honesta, apesar de tudo conspirar contra eles. Dário (Vinícius de Oliveira) tenta passar na cruel peneira dos testes de futebol. Dênis (João Baldasserini) já tem um filho e ganha a vida como motoboy. Dinho (José Geraldo Rodrigues) busca o conforto na igreja evangélica e o pequeno Reginaldo (Kaique Santos) viaja de ônibus pela cidade em busca do pai biológico.

A idéia do filme surgiu após João Moreira Salles, irmão de Walter, ter feito as minisséries "Futebol" e "Santa Cruz", este último sobre a construção de uma igreja evangélica na periferia do Rio. Não há figurantes no filme. As cenas da igreja são com evangélicos de verdade e a festa de 18 anos de Dário é com gente da Rua Laranja da Bahia, na Cidade Líder (zona leste de SP), onde filmamos, conta Salles.

A escolha de Kaique foi a mais difícil. Quem encontrou o garoto foi Simone, mulher do montador Daniel Rezende ("Cidade de Deus"), numa ONG no Capão Redondo. Quando ele fez um teste com a Sandra Corveloni, chegamos a chorar. Sabíamos que era ele, conta Daniela Thomas, que rodou São Paulo para achar o lugar perfeito para locação. A idéia original era rodar no Rio, mas a relação morro/asfalto já foi demais explorada. São Paulo era melhor opção, pois os personagens estão em constante movimento e se reinventam na geografia urbana, explica Salles.

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