Saímos da marginalidade, diz casal sobre decisão do Supremo

Em 2010, Luciana Maidana e Lídia Guterres conseguiram adotar 2 crianças após decisão do STJ. Agora, são reconhecidas como família

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

A psicóloga Luciana Maidana foi pega de surpresa pelo telefonema do repórter. Já a companheira  estava ligada na internet e na televisão, desde o dia anterior, para acompanhar o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu nesta quinta as uniões homossexuais como entidades familiares. “É um avanço espetacular”, comemora a fisioterapeuta Lídia.

Moradoras da cidade gaúcha de Bagé, Luciana e Lídia formam um casal gay que obteve uma conquista histórica na Justiça e se sente parte da vitória obtida nesta quinta no Supremo. Em abril do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu Luciana e Lídia legalmente como mães adotivas de dois meninos de sete e oito anos. Foi a primeira vez que um tribunal superior reconheceu esse direito no Brasil.

Juntas há quase 15 anos, elas haviam adotado as crianças ainda recém-nascidas. Oficialmente, porém, apenas Luciana era reconhecida como mãe adotiva. Nesta quinta, ao ser informada da decisão do STF, que por 10 votos a zero equiparou à entidade familiar as uniões homoafetivas, Luciana celebrou.

“Eu nem sabia, para falar a verdade. A adoção dos guris já tinha sido uma bênção para nós, porque fomos as pioneiras. Somos uma família, mas uma família diferente”, disse a psicóloga de 36 anos. Depois da decisão do STJ, Lídia e Luciana adotaram uma menina, que hoje tem um ano e quatro meses.

Ao contrário da companheira, Lídia aguardava há dias o julgamento do STF. Nos últimos dois dias, ela ficou grudada na internet e na televisão, acompanhando a defesa das entidades e o voto dos ministros, que acabaram por reconhecer que as regras do Código Civil valem também para os casais homossexuais.

“É um avanço espetacular”, comemorou Lídia. “Foi uma conquista de uma parcela da sociedade que vivia à margem dos direitos civis. Agora, passamos a ser reconhecidas como uma família”, completou.

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