O presidente da concessionária Energia Sustentável do Brasil (ESBR), Victor Paranhos, afirmou que a futura saída da Camargo Corrêa do consórcio da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), tem como objetivo evitar possíveis conflitos de interesse na posição da empresa como acionista e responsável pelas obras civis do empreendimento. Já estava acertado que a Camargo Corrêa sairia (da composição do capital acionário) logo após a obtenção da licença de instalação.

Isso foi um pedido da própria Camargo", disse o executivo em entrevista à Agência Estado. A empreiteira, no entanto, continuará responsável pela construção da usina.

Hoje, a ESBR tem como acionistas a franco-belga GDF Suez (50,1%), a Eletrosul (20%), a Chesf (20%) e a Camargo Corrêa (9,9%). Segundo Paranhos, a saída da construtora como acionista foi acertada durante a constituição do consórcio que disputou a concessão de Jirau, no ano passado. De acordo com o executivo, não é do interesse da GDF Suez, que no Brasil controla a Tractebel, aumentar a sua fatia acionária no projeto. "Achamos que já temos uma posição grande na hidrelétrica", disse.

Nesse contexto, a expectativa é de que a Camargo Corrêa venda sua participação acionária em Jirau para outro investidor do mercado. "A Camargo acredita que irá captar muito mais recursos vendendo a participação na usina agora do que anteriormente", afirmou Paranhos. A usina terá capacidade instalada de 3,3 mil megawatts (MW), com planos de ser expandida para 3,45 mil MW. O empreendimento está previsto para entrar em operação no início de 2012, entre fevereiro e abril. O investimento total é estimado em R$ 10 bilhões pelos empreendedores.

O aumento da energia assegurada de Jirau depende de uma autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), segundo Paranhos. "Dentro de 30 dias apresentaremos à Aneel um pedido de autorização para ampliar a oferta da usina", disse o executivo. A concessionária já fez uma consulta prévia com a Aneel sobre o tema.

O preço de venda da energia da usina de Santo Antônio (também no Rio Madeira) para o mercado livre de R$ 143 por MWh, firmado em contrato com a Cemig, virou referência para a comercialização da energia de Jirau aos clientes livres. "Esse valor de R$ 143 por MWh é o piso para a nossa venda no mercado livre", disse Paranhos. "Consideramos que esse valor é bastante adequado para a perspectiva futura para o preço da energia no Brasil", acrescentou o executivo.

Paranhos contou que a concessionária aguarda o melhor momento para comercializar os 30% de energia assegurada de Jirau, o que representa um volume de 572,4 MW médios. "Ninguém vende esse volume de energia neste momento de crise econômica", afirmou o executivo. A retração da atividade industrial provocou sobras de energia no mercado livre, o que pressiona para baixo os preços. "Temos até o final de 2010 e o início de 2011 para vender energia", ponderou o executivo.

Apesar de o prazo para vender a energia não ser tão apertado, o fato de 30% da oferta da usina ainda estar descontratado influenciou nas condições do financiamento obtido ontem pela concessionária com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 7,2 bilhões. De acordo com o executivo, os sócios do empreendimento se comprometeram a ampliar a fatia de capital próprio caso o fluxo de caixa projetado para a usina no futuro não se confirme.

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