Saiba qual o anticoncepcional mais adequado ao seu perfil

DIU, pílulas anticoncepcionais, injeções, preservativos, adesivos, diafragma... São muitas as opções no mercado para quem não deseja engravidar.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

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Método deve ser simples e de alta eficácia

Para escolher o método mais adequado ao seu perfil, o professor especialista em planejamento familiar da Faculdade de Medicina de Botucatu, Rogério Dias, explica que é preciso avaliar a eficácia do contraceptivo, os possíveis efeitos colaterais e a forma de uso. Tem que ser simples, senão a usuária não se adapta. O médico não vai determinar o método, mas nortear o casal, afirma.

Entre os procedimentos mais utilizados, está a pílula anticoncepcional, que pode ser tomada por qualquer mulher, desde que não tenha trombose, embolia pulmonar, Lúpus Eritematoso Sistêmico, diabetes, hipertensão e câncer de mama (LINK PARA MATÉRIA ANTERIOR).

A pílula deve ser tomada todos os dias e, em geral, vem em cartelas com 21 comprimidos. Após este período, a usuária deixa de tomar por sete dias e, depois, inicia uma nova cartela. Ela tem uma alta eficácia. Considerando as usuárias perfeitas (que tomam todos os dias nos horários certos), o índice de gravidez é de até 0,2% ao ano, afirma César Eduardo Fernandes, professor de ginecologia e obstetrícia da Faculdade de Medicina do ABC.

Para as não tão disciplinadas, uma opção são as injeções hormonais, que podem ser mensais ou trimestrais. Segundo Dias, uma das vantagens do método é o menor efeito colateral que provoca. O hormônio da pílula passa pelo fígado para ser metabolizado e ir para a corrente sanguínea. O do injetável cai direto no sangue, diz. No entanto, qualquer desconforto é difícil de ser controlado já que não é possível interromper o seu uso. Com a pílula, se tiver qualquer problema, você interrompe e em 24 horas está livre, acrescenta.

O ginecologista recomenda às usuárias que não massageiem o local da aplicação, sob a pena de terem o prazo de validade do contraceptivo diminuído. Ele é absorvido mais rapidamente, afirma.

Outro método de alta eficácia, segundo os especialistas, é o adesivo. A mulher deve usar três por mês e interromper o uso durante uma semana, período no qual ficará menstruada. De acordo com Dias, um dos mitos envolvendo os adesivos é achar que eles não são seguros e podem se descolar facilmente. O descolamento na água é menor que 1%, diz. Um dos inconvenientes é o preço, que está na faixa de R$ 40 para uma cartela com três, que dura um mês. O ginecologista lembra ainda que ele não deve ser colado na mesma região do corpo.

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DIU não é indicado para adolescentes

O Dispositivo Intrauterino (DIU) também é recomendado pelos médicos e consiste numa pequena peça de plástico revestida por metal que é colocada dentro do útero. Ele age liberando sais de cobre, que têm ação espermaticida e impedem a subida dos espermatozóides pelas trompas, evitando assim a fecundação do óvulo. É um excelente método, com proteção de 97 a 98%, diz Dias.

No entanto, ele não é recomendado para todas as mulheres. A contra-indicação principal é para aquelas que não têm apenas um parceiro sexual. Ele aumenta o risco de infecção, afirma. O professor Luciano de Melo Pompei, da Universidade de São Paulo (USP), explica ainda que o método não é indicado para adolescentes que têm apenas relações esporádicas. O DIU é de longa duração. Não vale para alguém que terá uma relação no mês, considera.

Ao contrário do que se pensa, Pompei afirma que o DIU não precisa ser usado exclusivamente por mulheres que já tiveram filhos, mas que o risco de ele ser expelido naturalmente pelo organismo de quem nunca engravidou é maior.

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Diafragma deve ser usado com gel espermaticida
Considerado um método de barreira, o diafragma ainda é pouco utilizado no País. Ele é formado por um pequeno anel de metal, coberto por uma película de borracha ou silicone, que é colocado dentro da vagina pela mulher antes da relação sexual e impede que os espermatozóides entrem no útero. Para os médicos, ele não é um método prático. É como usar lente de contato, tem que cuidar diretinho, brinca Dias. Ele tem que ser inserido antes do ato e retirado pelo menos 8 horas após o término da relação. Não é prático, acrescenta.

Indicada apenas para situações de emergência, a pílula do dia seguinte tem alta dosagem hormonal e pode provocar náuseas, vômitos, desconforto digestivo e dores mamárias.

Há duas formas de encontrá-la: em cartelas com dois comprimidos de 750 microgramas do hormônio levonorgestrel cada ou em dose única de 1500 microgramas. Na pílula comum você tem em torno de 20 microgramas, compara o professor Dias. No caso de dois comprimidos, o ideal é que a mulher tome o primeiro nas 24 primeiras horas após a relação sexual e, o segundo, 12 horas depois. É para uma situação muito esporádica, como quando o preservativo romper, explica Pompei.

Mesmo se tomada de forma correta, a pílula não garante proteção total contra a gravidez. Segundo Pompei, as chances de uma mulher engravidar se tiver apenas uma relação no mês, sem proteção e durante o período fértil, é de 8%. Se ela tomar a pílula do dia seguinte, as chances caem para 1%. O índice, comparado a outros métodos, ainda é alto. Com pílulas anticoncepcionais comuns a chance de engravidar é de 0,3% a 0,5%. E isso no período de um ano e levando em conta várias relações, afirma.

Os riscos não estão ligados apenas à eficácia do método. Quando usada de forma rotineira, a mulher pode ter aumento de peso, formação de acne, alterações no ciclo menstrual e até no colesterol. O risco mais sério é que, à medida que ela tem acomodação da coabilidade sanguínea, pode ter problemas tromboembólicos, completa Dias.

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