Saiba quais são os serviços afetados pela greve na Infraero e como agir nos aeroportos

RIO DE JANEIRO ¿ O Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) inicia nesta quarta-feira uma paralisação em 12 dos 67 aeroportos administrados pela Infraero. Entre os terminais afetados pela paralisação estão Congonhas (SP), Galeão (RJ), Salgado Filho (RS) e Fortaleza (CE). Por causa dessa paralisação, as pessoas que têm viagens de avião marcadas para os próximos dias devem se preparar para aguardar vôos atrasados e enfrentar longas filas e confusões.

Anderson Dezan, repórter do Último Segundo no Rio |

AE
Greve pode complicar movimento em aeroportos
De acordo com o presidente do Sina, Francisco Lemos, os serviços mais afetados serão os de fiscalização do movimento de aviões na pista, organização de terminais de passageiros, recebimento e despacho de cargas aéreas e alocação de aeronaves. Além dessas atividades, os aeroportuários também são responsáveis pela operação de equipamentos de raio-x e pela fiscalização de bagagens no embarque e desembarque.

Devido aos contratempos que poderão ser encontrados, é recomendável que os passageiros cheguem com um pouco mais de antecedência aos aeroportos. Algumas empresas aéreas, como a TAM, disponibilizam para seus clientes um serviço de call center e um portal on-line aonde podem ser obtidas informações sobre as situações de embarque nos terminais no País.

É importante lembrar também que os passageiros que se sentirem lesados poderão procurar os Juizados Especiais Cíveis localizados nos aeroportos. Esses postos de atendimento, no entanto, só recebem queixas contra as companhias aéreas. As reclamações de passageiros contra a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) devem ser encaminhadas à Justiça Federal.

Greve

A força de trabalho da Infraero conta com cerca de 28 mil profissionais, entre contratados e terceirizados. Os aeroportos administrados pela empresa estatal concentram aproximadamente 97% do movimento do transporte aéreo regular do Brasil. Esse número equivale a 2 milhões de pousos e decolagens de aeronaves nacionais e estrangeiras, transportando cerca de 110 milhões de passageiros por ano.

A categoria dos aeroportuários reivindica um reajuste salarial de 6%, um aumento real de 5,2%, concessão de duas promoções a partir de agosto deste ano, vale-alimentação de R$ 25, a implementação de um Plano de Carreira, Cargos e Salários até abril de 2009, recesso e bônus de natal e a manutenção de cláusulas sociais e financeiras do atual acordo coletivo.

Segundo Francisco Lemos, a Infraero contribuiu para conseguir a antipatia da categoria. Ele disse que a proposta apresentada pela empresa não era clara.

Desde o começo, a Infraero tem vindo às negociações com uma posição fechada. A empresa também tirou alguns dos nossos benefícios que existiam há mais de 20 anos, declarou.

O presidente do Sina informou ainda que panfletos informativos sobre o início e os motivos da greve vêm sendo distribuídos nos aeroportos desde sexta-feira.

A categoria não quer atrapalhar a vida dos cidadãos, mas quer seu espaço para manifestar sua insatisfação com a Infraero, afirmou Lemos.

A greve é por tempo indeterminado e, caso as negociações não evoluam, o sindicato afirma que outros aeroportos poderão aderir à paralisação de imediato. A categoria pretende cumprir a lei que regula que pelo menos 30% dos funcionários de movimentos grevistas no setor público devem trabalhar. Segundo os manifestantes, o cumprimento da lei visa a não comprometer a segurança dos passageiros.

Em nota oficial, a Infraero informou que deu continuidade às negociações nesta terça-feira com o intuito de reavaliar as reivindicações da categoria. De acordo com a estatal, a diretoria nunca se furtou ao diálogo a fim de obter uma melhor proposta que atendesse aos funcionários e a empresa. Segundo o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, a situação caminha para a tranqüilidade.

Quero tranqüilizar os passageiros que utilizam os aeroportos administrados pela Infraero e lembrar que a empresa está preparada para operacionalizar plenamente os aeroportos. Todas as providências nesse sentido já foram adotadas, informou.

Controladores de vôo

Greves que causam problemas ao setor aéreo são comuns no Brasil. A paralisação da categoria dos controladores de vôo, em março de 2007, embora tenha sido rápida, foi uma das que mais causou transtornos aos passageiros. Os 67 aeroportos administrados pela Infraero foram afetados e aproximadamente 18 mil pessoas, segundo a Anac, tiveram os embarques prejudicados na ocasião.

A greve teve início no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus (AM), quando os controladores de vôo teriam paralisado suas atividades. O presidente da Infraero na época, brigadeiro José Carlos Pereira, admitiu que algumas decolagens tinham sido retidas, mas negou que houvesse uma greve da categoria.

Logo depois de Manaus, os profissionais de Brasília, Salvador e Curitiba anunciaram também a paralisação. Os controladores de vôo se aquartelaram e iniciaram uma greve de fome, reivindicando melhores condições de trabalho. Em pouco tempo, todos os aeroportos do País ficaram fechados para decolagens.

A categoria iniciou a greve depois que o comandante do Cindacta 1, coronel Carlos Vuyk de Aquino, ameaçou os controladores de Brasília de demissão. O governo intermediou as negociações que envolveram gratificações, a desmilitarização e a abertura da CPI do Apagão Aéreo.

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