SAIBA MAIS-Sensores de velocidade detêm foco em queda do AF 447

(Reuters) - Investigadores de acidentes aéreos disseram que o Airbus A330 da Air France registrava leituras inconsistentes de velocidade antes de cair no oceano Atlântico na semana passada. Segundo a Air France, outros voos com aeronaves Airbus já haviam registrado perda temporária dos dados de velocidade do ar devido ao congelamento dos sensores, ou tubos de pitot.

Reuters |

Especialistas em aviação e sindicatos de pilotos questionam se a mesma coisa pode ter ocorrido com o Airbus A300 durante a travessia de uma tempestade com raios na altura do Equador.

Veja a seguir alguns detalhes e informações de contexto sobre os pitots.

FATOR QUE CONTRIBUIU?

Os tubos de pitot das aeronaves normalmente são aquecidos para evitar que eles entupam com gelo. Os investigadores tentam saber se esse mecanismo falhou, mas o chefe da agência francesa sobre acidentes aéreos afirmou que ainda é cedo para dizer que algum problema com os sensores tenha tido qualquer responsabilidade no evento.

Um sindicato de pilotos na França, Alter, disse na terça-feira que há "um risco real de perda de controle de um Airbus" se um tubo de Pitot não funcionar adequadamente, mas ressalvou que não apontava conclusões sobre o motivo da queda do voo 447, que fazia a rota Rio-Paris.

Outro sindicato de pilotos, a SNLP, declarou que o congelamento dos tubos não pode ser a única razão para o desastre.

Usados generalizadamente para medir a velocidade de uma aeronave, os tubos de pitot também são empregados para aferir a velocidade do vento e de gases para fins industriais.

A Air France informou que todos os voos da empresa com jatos Airbus para trajetos de longa distância serão equipados imediatamente com novos sensores de velocidade, disse um sindicato de pilotos nesta terça-feira.

MOTIVO DE QUEDAS ANTERIORES?

O entupimento dos sensores de velocidade foi apontado em desastres anteriores como um fator que contribuiu para a queda das aeronaves.

Em 1996, um relatório sobre a queda de um Boeing 757 na República Dominicana responsabilizou a leitura equivocada do tubo de pitot, que estava bloqueado por sujeira ou restos de insetos, além de apontar erros do piloto.

HENRI PITOT, INVENTOR

O dispositivo foi inventado há quase três séculos e ainda desempenha uma função essencial nas aeronaves de última geração do século 21.

Criado pelo engenheiro francês Henri Pitot em 1732, ele era usado para medir a velocidade de fluxo de rios e canais.

O equipamento consiste em um tubo com dois orifícios e moldado em um ângulo reto. O primeiro buraco é apontado para o ar em movimento (ou, no tempo de Pitot, para a água), e o outro orifício mede a pressão atmosférica. A diferença entre os dois é usada para calcular a velocidade do vento.

Os tubos de Pitot podem ser colocados em diversos lugares de uma aeronave --na quina da asa ou no exterior da fuselagem, por exemplo. Os Airbus A330 têm três tubos.

FABRICANTES

Os tubos de pitot das aeronaves Airbus são feitos pela empresa francesa Thales e pela Goodrich, dos Estados Unidos.

Um modelo mais antigo feito pela Thales estava no voo 447. Esse modelo está sendo trocado em todos os voos de longa distância da Air France com aparelhos Airbus.

A Emirates, que usa 29 A330 --maior frota do tipo no mundo-- disse à Reuters que suas aeronaves usam tubos feitos pela Goodrich, e acrescentou que esse modelo não sofre do mesmo problema relatado pela Air France.

Outra grande usuária do A330, a Etihad Airways de Abu Dhabi, afirmou que os sensores de velocidade de seus aviões também são feitos pela Goodrich, e que "portanto não está em questão a troca ou a mudança deles".

A Thales não estava imediatamente disponível para comentários.

(Reportagem de Sophie Taylor)

    Leia tudo sobre: avião

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG