SAIBA MAIS-Entenda a crise que atinge o governador do DF

BRASÍLIA (Reuters) - O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), está sendo acusado de participação em esquema de pagamento de propina a parlamentares aliados, no que vem sendo chamado de mensalão do DEM. Estão envolvidos também assessores do governador. Ao contrário de outros escândalos do gênero, há fartas imagens gravadas e veiculadas na TV que mostram Arruda recebendo maços de dinheiro, assim como deputados distritais e também o empresário Alcyr Collaço, dono do jornal Tribuna do Brasil.

Reuters |

Os recursos viriam de empresas que prestam serviços ao governo do Distrito Federal.

As filmagens foram feitas por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda, que aceitou ajudar nas apurações em troca de uma futura redução de pena, a chamada delação premiada.

Além de sofrer um processo interno de expulsão de seu partido, a Câmara Legislativa do Distrito Federal recebeu dez pedidos de impeachment contra o governador.

Em sua defesa, Arruda alegou que contabilizou o dinheiro recebido e que as imagens são truncadas. Acusou Barbosa de ser uma "herança maldita" do governo anterior.

Veja, a seguir, detalhes do caso.

A OPERAÇÃO CAIXA DE PANDORA

No dia 27 de novembro, a operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte. Expedidos pelo ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, os mandados tiveram o objetivo de coletar provas sobre suposta distribuição de recursos ilegais à base aliada do governo do Distrito Federal, segundo nota da Polícia Federal.

DURVAL BARBOSA

As investigações sobre suposto repasse ilegal de recursos contaram com a ajuda do então secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, ex-integrante do governo de Joaquim Roriz, que antecedeu Arruda. Ele aceitou colocar aparelhos de captação ambiental e de áudio em suas roupas para cooperar com a PF nas investigações.

Barbosa colaborou no inquérito utilizando o instrumento de delação premiada, pois é alvo de cerca de 30 ações na Justiça. Apenas no Tribunal de Justiça do Distrito Federal são cerca de 20 as ações, a maioria por improbidade administrativa.

Segundo despacho do Superior Tribunal de Justiça, Durval Barbosa gravou conversas entre ele, o governador Arruda e o então chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, negociando pagamentos para a base aliada.

No dia 27, após a deflagração da operação da PF, Barbosa foi exonerado do cargo por Arruda.

VÍDEOS

Mais de 30 vídeos, nem todos com autorização judicial, mostram políticos e o próprio Arruda recebendo dinheiro supostamente irregular. A primeira explicação oficial do governador foi de que o recursos serviriam para a compra de panetones para os pobres.

Foram exibidas imagens em que Arruda aparece recebendo dinheiro de Durval Barbosa e que citam ainda o vice-governador Paulo Octávio, outros integrantes da cúpula do governo local e deputados distritais.

DEFESA

No dia 30, Arruda afirmou em sua defesa que Barbosa faz parte da "herança maldita" do governo Roriz (ex-PMDB e atual PSC) e tentou desqualificar a denúncia. Apesar de admitir ter recebido os valores, ele alega que registrou o dinheiro visto nas imagens exibidas na televisão.

Arruda argumentou que Barbosa permaneceu em seu governo por não haver condenação da Justiça contra ele.

FONTE DO DINHEIRO

Os recursos para pagar membros da base aliada do governo vieram supostamente de empresas que prestam serviços ao governo do Distrito Federal.

Ao Ministério Público, Durval informou que todas as despesas de campanha de Arruda ao governo em 2006 foram pagas com dinheiro arrecadado de prestadoras de serviços do governo local. Após a campanha, as empresas continuariam pagando para manter seus contratos com o governo distrital.

OUTROS PERSONAGENS DO ESCÂNDALO

Nas declarações de Durval em um diálogo gravado com Arruda e Maciel, outras pessoas são citadas. Entre elas, José Luiz Vieira Valente, ex-secretário de Educação do Distrito Federal, Domingos Lamoglia, membro do Tribunal de Contas do Distrito Federal, e Gilberto Lucena, um dos proprietários da Linknet.

Os gabinetes dos deputados distritais Rogério Ulysses (PSB), Eurides Brito (PMDB) e Pedro do Ovo (PRP) também sofreram mandados de busca e apreensão pela PF no dia 27 de outubro.

CRIMES

Segundo o inquérito da investigação que corre no STJ, Ministério Público e Polícia Federal, os crimes cometidos pelos envolvidos seriam os de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude de licitação e crime eleitoral.

(Reportagem de Ana Paula Paiva)

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