Saiba como diferenciar o estresse pós-traumático do medo comum

Insônia, alucinações, dificuldade de concentração, tristeza profunda, irritabilidade, medo, raiva, apatia e angústia. Esses são alguns dos principais sintomas que atingem os portadores do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A doença, que muitas vezes é confundida com outros distúrbios, como depressão e síndrome do pânico, diferencia-se principalmente pelos ¿flashbacks¿ constantes.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

A vítima sente como se revisse a situação violenta e, por isso, podem ocorrer alucinações auditivas ou visuais, explica a psicóloga Valdenice Aparecida Boza. Em outros casos, ela diz, passar por situações semelhantes a que desencadearam o trauma também faz com que a pessoa reviva os sintomas. Se ela foi assaltada em um semáforo, se assustará quando for abordada de surpresa por qualquer pessoa no farol, exemplifica.

Às vezes, as lembranças são tão violentas quanto o próprio trauma

Às vezes, as lembranças são tão violentas quanto o próprio trauma, acrescenta a psicóloga Mariana Pupo, do Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Por isso, segundo ela, as pessoas evitam qualquer pessoa ou local que possam lembrá-las da violência. Tudo fica em segundo plano, afirma. O doente perde o interesse pelas coisas que gostava de fazer e, nos casos mais graves, passa a evitar todas as pessoas, assim como sair de casa e trabalhar.

Medo comum x doença

A linha que separa o desequilíbrio inerente a todos que passam por uma situação violenta do estresse pós-traumático varia muito. Mas, de acordo com especialistas, em geral, a tendência é que em um mês os sintomas se amenizem. Caso persistam, a pessoa pode estar com o transtorno.

Em 10% dos casos, os sintomas do TEPT só aparecem depois de seis meses a um ano

O diagnóstico só acontece após um mês. Antes deste prazo, porém, se pode procurar ajuda. Se os sintomas continuarem a crescer em uma semana é sinal de que a vítima está com uma reação grave ao estresse, explica Mariana Pupo, acrescentando que é importante que ela receba auxílio para que o quadro não se desenvolva. Em 10% dos casos, segundo a psicóloga, os sintomas do TEPT só aparecem depois de seis meses a um ano.

Apesar dos homens estarem mais expostos à violência urbana, são as mulheres as maiores vítimas do transtorno. A proporção é de duas para cada homem, diz Mariana. Pessoas que já sofreram com depressão, ansiedade ou fobias tendem a desenvolver a doença com mais facilidade.

De acordo com o psiquiatra José Toufic Thomé, coordenador da Comissão Técnica de Intervenções em Situações de Catástrofe e Desastre, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), no grupo mais vulnerável também estão crianças, idosos e deficientes. As crianças ainda não têm a personalidade formada, os idosos estão mais perto da morte e os deficientes se sentem ainda mais incapacitados diante de uma ação violenta, explica.

Arquivo pessoal
Hugo Leonardo
Apoio da família

Para superar um trauma, os especialistas ressaltam a importância do apoio da família e dos amigos. O estudante Hugo Leonardo Gaspar, de 27 anos, afirma que fez a diferença para se recuperar de duas agressões. Em 2005, foi derrubado de sua moto e agredido por dois homens com chutes e socos durante um assalto. A moto recuperou no mesmo dia, mas, em razão de fraturas e ferimentos, ficou 6 meses afastado da faculdade. Fiquei um bom tempo sem dormir, com a cena na cabeça, diz, mas esclarece que hoje não tem mais medo e já voltou a dirigir. Tenho muitos amigos que andam de moto e eles sempre conversaram muito comigo, me ajudaram bastante.

Mais recente, o trauma enfrentado em outubro de 2008 ainda não foi totalmente superado. Gaspar passava em frente ao estádio do Maracanã , no Rio de Janeiro, quando foi confundido com um torcedor e espancado pela torcida rival. Só pensava em ficar de pé, se tivesse caído poderia ter morrido. Quase um ano depois, ainda evita sair de casa em dia de jogo e não passa em frente ao estádio.

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