Saiba a que horas os prefeitos das principais capitais tomam posse

Os prefeitos das principais capitais do País tomam posse durante a tarde. As cerimônias vão acontecer na Câmara de Vereadores. Veja, abaixo, o horário da posse e o perfil dos prefeitos eleitos.

Redação |

Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PMDB) toma posse às 14h.

Em 1996, Eduardo Paes foi eleito vereador na cidade pelo partido de Cesar Maia, o então PFL (atual DEM). No entanto, não terminou seu mandato, pois em 1998 a população o elegeu deputado federal para o período de 1999-2002. Já em 1999 ele acompanhou Maia em mais uma troca de partido e foi para o PTB, mas permaneceu só até 2001. Ao longo deste período, Paes pediu afastamento do Congresso Nacional para se tornar Secretário do Meio Ambiente da cidade do Rio de Janeiro, a pedido de Cesar Maia.

No ano de 2001, Eduardo Paes voltou para o PFL, partido pelo qual foi novamente eleito deputado federal em 2002. Essa filiação foi rompida em 2004, quando Paes entrou para o PSDB. Gradativamente, criador e criatura, Maia e Paes, foram se afastando.

Foi como tucano que Paes se candidatou ao governo do Estado do Rio de Janeiro, em 2006. Porém, recebeu apenas 5,5% dos votos. No 2º turno das eleições de 2006, Paes apoiou Sérgio Cabral, do PMDB, que por sua vez apoiou Lula contra Geraldo Alckmin na disputa pela Presidência da República. A oponente de Cabral era Denise Frossard (PPS), que estava ao lado de Alckmin.

O apoio a Sergio Cabral rendeu a Eduardo Paes a Secretaria Estadual do Turismo, Esporte e Lazer. Ele assumiu o posto em 2007, apesar da discordância do seu partido. A pedido do governador, e diante da oferta da candidatura majoritária nas eleições de 2008, Eduardo Paes trocou novamente de legenda ainda em 2007, e agora é o mais novo prefeito eleito da cidade do Rio de Janeiro, pelo PMDB.

Porém, seu secretariado é eclético, com tucanos, petistas e comunistas convivendo no mesmo espaço.

Belo Horizonte: Márcio Lacerda (PSB) toma posse às 14h

De milionário desconhecido a prefeito de uma das mais importantes capitais do País. A rápida ascensão do empresário Marcio Lacerda (PSB) na política deve muito ao apoio do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel (PT).

A escalada foi meteórica. Aos 62 anos, sem nunca ter disputado um cargo eletivo, Lacerda começou a campanha com 8% das intenções de voto na pesquisa Ibope. O candidato do PSB assumiu o primeiro lugar quando começou o horário eleitoral na TV, no final de agosto. Em setembro, Leonardo Quintão (PMDB) cresceu e se aproximou de Lacerda no segundo lugar. O resultado foi a surpresa do segundo turno, em que o peemedebista esteve na frente durante todo o mês de outubro. Desta vez, a zebra foi Lacerda, que venceu a eleição contra as previsões das pesquisas.

A escolha de um candidato desconhecido para representar uma aliança polêmica parece ter dado certo. O fato de o diretório nacional do PT ter vetado a coligação com o PSDB apenas impediu a união formal dos dois partidos. Com a eleição de Lacerda, Aécio sai fortalecido para tentar disputar a Presidência e Pimentel ganha pontos para disputar o Senado ou o governo mineiro em 2010.

Seu secretariado será, basicamente, formado pelos petistas que já estavam no governo de Pimentel. Mas com uma novidade: o PSDB terá uma secretaria, a de Saúde.

Recife: João da Costa (PT) assume às 15h

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Agrônomo de formação, João da Costa ingressou no PT em 1988 e coordenou as campanhas de João Paulo para deputado federal, prefeito de Jaboatão de Guararapes e prefeito de Recife, que governou a cidade no período anterior a Costa (2005-2008). A primeira candidatura veio em 2006, para deputado estadual, com a maior votação na cidade.

Seu principal adversário nas últimas eleições, o ex-governador Mendonça Filho (DEM), começou a campanha em primeiro lugar das pesquisas, com aproximadamente 25% das intenções de voto. Ao contrário de Costa, que cresceu mais trinta pontos entre julho a setembro, o candidato do DEM perdeu espaço e apareceu com 22% nas últimas pesquisas.

Poucos dias após a cassação do registro de candidatura, em primeira instância, por abuso de poder político e econômico, o petista realizou seu maior ato público de campanha, um comício que contou com a presença do ministro José Múcio, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), do prefeito de Recife, João Paulo (PT), de candidatos a prefeito das cidades da Região Metropolitana do Recife pelo PT e outras lideranças do partido. Cerca 40 mil pessoas estiveram na praça do Carmo. O discurso de João da Costa foi precedido por fogos de artifício, e o candidato declarou que os percalços só servem para dar mais força à sua candidatura.

O presidente Lula não compareceu ao comício, mas esteve presente na campanha. Uma das razões para a ausência física do presidente foi o fato de haver outro candidato da base aliada na disputa, o deputado federal Raul Henry (PMDB).

Após a cassação, Lula e a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, gravaram depoimentos que foram exibidos no horário eleitoral de João da Costa. Outras figuras do partido também reforçaram o palanque do petista, como o presidente do PT e deputado federal, Ricardo Berzoini.

João da Costa foi eleito no primeiro turno, com 51,54% das intenções de voto. No final de novembro, os desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) decidiram, por unanimidade, livrar o prefeito eleito do pedido de cassação.

O secretariado é formado, basicamente, por pessoas que já participaram das administrações anteriores, de João Paulo.

São Paulo: Gilberto Kassab (DEM) toma posse às 15h

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Engenheiro e economista formado pela USP, Gilberto Kassab, 48 anos, começou na política aos 24 anos participando do Fórum de Jovens Empreendedores da Associação Comercial de São Paulo (FJE-ACSP), criado em 1984 pelo empresário e presidente da ACSP, Guilherme Afif Domingos. Cinco anos depois, trabalhou na campanha de Afif à Presidência da República.

Em 1992, foi eleito vereador em São Paulo pelo PL, partido do padrinho Afif na época. Dois anos depois, chegou à Assembleia Legislativa e, em 1998, à Câmara dos Deputados, onde foi reeleito com a nona maior votação de São Paulo (230.796 votos). Em 2004, foi eleito vice-prefeito na chapa de José Serra, que deixou o cargo em 2006 para disputar o governo estadual.

Em 2004, o então PFL (atual DEM, partido do prefeito) paulista pressionou os tucanos a definirem um nome para disputar a prefeitura da capital, sob a ameaça de lançarem candidatura própria. Kassab foi escolhido como vice da candidatura de José Serra. A indicação não agradou a vários membros do PSDB pela relação de Kassab com o ex-prefeito Celso Pitta. Ele havia sido secretário municipal de Planejamento do ex-aliado de Paulo Maluf entre 1997 e 1998.

De 1994 a 1998, o patrimônio de Kassab cresceu 316%, descontada a inflação, de R$ 102 mil para R$ 985 mil. Nesse período, Kassab foi secretário de Pitta e deputado estadual. A Promotoria de Justiça da Cidadania de São Paulo chegou a abrir inquérito civil em julho para investigar eventual enriquecimento ilícito de Kassab. O político alegou que sua atividade empresarial havia crescido. Em dezembro, a Justiça autorizou a quebra de sigilo do vice-prefeito eleito, mas a liminar foi derrubada logo depois. Neste ano, o prefeito declarou patrimônio ao TSE de R$ 5.107.628,31.

Quando começaram os rumores da candidatura de Serra à Presidência, em 2006, os aliados de Alckmin criticaram o abandono da prefeitura com um ano e meio de mandato. No dia 31 de março, Serra deixou a prefeitura para disputar o governo estadual. Sobre Kassab, o tucano falou: Muda o maestro, mas permanece a orquestra.

O prefeito começou seu mandato com uma greve de professores da rede municipal em curso. Kassab mantinha uma administração discreta até o surgimento do projeto Cidade Limpa, polêmico porque ameaçava os lucros das agências de publicidade. O episódio que o tornou menos desconhecido da população ocorreu em razão do projeto. Em fevereiro do ano passado, chamou de vagabundo um homem que protestava contra o serviço de saúde e a lei Cidade Limpa na inauguração de uma unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) na zona norte da cidade.

Seu secretariado é basicamente o mesmo do primeiro mandato, mas com menos recursos. O prefeito avisou que, com a crise mundial, todas as pastas, com exceção de Saúde e Educação, sofrerão algum corte no orçamento.

Porto Alegre: José Fogaça  (PMDB) toma posse às 16h

O prefeito Fogaça

Bacharel em Direito, radialista, poeta, compositor, professor. José Fogaça, 61 anos, reeleito prefeito de Porto Alegre, teve tantas ocupações na vida quanto cargos. Desde que começou sua careira política em 1978, quando foi eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul pelo então MDB, atual PMDB, foi deputado federal, senador e prefeito, além de disputar eleições quase todos os anos.

Em 1985, Fogaça foi candidato a vice-prefeito de Porto Alegre na chapa de Carrion Jr, mas perdeu a eleição para Alceu Collares (PDT). Em 1986, disputou pela primeira vez uma eleição para senador da República e conseguiu ser eleito. Em 1990, se afastou do cargo para concorrer ao governo do Estado do Rio Grande do Sul, mas ficou apenas na terceira posição e reassumiu seu cargo de senador. Nas eleições de 1994, Fogaça obteve votação suficiente para permanecer no cargo até 2002 (o mandato de senador tem duração de oito anos).

Em 2001, Fogaça entrou em confronto com Pedro Simon, liderança do PMDB, e, junto com Antônio Britto, trocou de partido e foi para o PPS. Por esta sigla, ele tentou seu terceiro mandato de senador em 2001, mas não obteve resultado positivo. Em 2004, ainda no PPS, foi candidato à Prefeitura de Porto Alegre e saiu vitorioso das urnas, derrotando Raul Pont e pondo fim à seqüência de 16 anos de gestão petista na cidade.

Como deputado federal, Fogaça acompanhou o processo de redemocratização brasileira e foi um dos coordenadores da campanha pelas Diretas Já.  Como senador, foi relator-adjunto da Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou e aprovou o texto da Constituição Federal de 1988.

Seu secretariado mudou bastante em relação ao primeiro mandato. Fogaça deu o maior número de pastas ao PMDB, seu partido, e ao PDT, de seu vice. Cada legenda fez seis nomes.

Salvador: João Henrique (PMDB) toma posse às 16h

O prefeito reeleito de Salvador, João Henrique de Barradas Carneiro, é natural de Feira de Santana. Chegou à capital baiana para cursar Economia na Universidade Federal da Bahia. A carreira política também começou nesta época, quando João Henrique ingressou no movimento estudantil da universidade. Como economista, João Henrique trabalhou na Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia) e foi diretor técnico do BahiaPesca.

Filho do ex-governador João Durval e casado com a deputada estadual Maria Luíza Carneiro, foi eleito vereador pela primeira vez em 1988. Na metade de seu segundo mandato na Câmara Municipal, renunciou para ocupar um novo cargo, de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, em 1994.

Em sua segunda reeleição, em 2002, foi o candidato à Assembleia mais votado no Estado, o que abriu caminho para que, em 2004, fosse o protagonista de uma das maiores derrota do carlismo na capital. Ainda filiado ao PDT, partido de seu pai, João Henrique foi eleito prefeito de Salvador, vencendo o senador César Borges, candidato do PFL (atual DEM), que era apoiado pelo senador Antonio Carlos Magalhães, o ACM, político mais influente da Bahia na segunda metade do século 20. 

Quando foi eleito para seu mandato à frente da prefeitura da capital baiana, João Henrique estava coligado com o PSDB, adversário do partido de ACM na cidade. No primeiro semestre de 2007, o prefeito deixou o PDT e se filiou ao PMDB, partido do ministro Geddel Vieira, da Integração Nacional. Geddel tenta ocupar o vazio político deixado pela derrocada do carlismo na Bahia.

O secretariado sofreu uma mudança substantiva em relação ao primeiro mandato. Rompidos com o prefeito, os petistas deixaram a administração.

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