¿Sabia que seria presa, menos o dia e a hora¿, diz vidente

Ao iG, Rosa Maria Jaques afirma ter atuado na solução de outros crimes e que ainda conversa regularmente com casal morto

Fred Raposo, iG Brasília |

Divulgação
A vidente Rosa Maria Jaques disse que não ajudará mais a polícia brasileira a solucionar crimes: "A experiência não foi agradável", afirma.
Apontada como suspeita de atrapalhar a investigação policial no triplo assassinato da 113 Sul, a vidente Rosa Maria Jaques diz que “sabia que seria presa”. “Eu sabia tudo. Só não sabia o dia e a hora. Isso foi um choque”.

Em entrevista exclusiva ao iG , por telefone, ela explica que trabalhou em “outros cinco ou seis” homicídios, mas que prometeu à filha que “nunca mais” ajudaria a polícia a solucionar crimes. “Ela me fez fazer esse juramento. Nunca mais trabalho com a polícia do Brasil. A experiência não foi agradável”, afirma.

A polícia acusa ela e o marido, João Tocchetto, de fraude processual e denúncia caluniosa. Sob orientação da paranormal, a polícia encontrou, em uma casa nos arredores de Brasília, uma chave do apartamento dos Villela. Três homens foram presos. Depois, a perícia policial identificou que o objeto fora plantado no local. Rosa foi presa em 17 de setembro e solta, por meio de habeas corpus, oito dias depois.

A vidente nega ainda ter dito à polícia que tenha visto uma chave, mas sim “provas materiais”. E conta ainda que conversa regularmente com o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, 73 anos, e sua mulher, Maria Carvalho Villela, 69 anos. O casal foi morto com 73 facadas em agosto do ano passado, junto com a empregada Francisca Nascimento, 58.

iG: Qual foi a motivação da senhora para entrar no caso?

ROSA MARIA JAQUES: Foi espiritual. Eu vi os jornais na casa de uma amiga e percebi que podia ajudar. Daquele momento em diante comecei a ver detalhes muito específicos. A doutora Martha (Vargas, delegada que foi afastada do caso) tem todas as explicações. Agora, há um trabalho direcionado em outra leitura, que não é a minha.

iG: Como foi essa visão?

RMJ: Os jornais e as fotos me levaram ao passado. Disse para o meu esposo “olha, esse (caso) acho que a gente pode dar uma colaboração”. Foi aí que nós procuramos a delegacia. O processo estava em sigilo. Contei como e onde era a casa (onde foi encontrada a chave). Como sabia dos detalhes? Foi aí que deram abertura para ir ao apartamento. Não coloquei a mão em nada. Fui me aprofundando e falei coisas que só eles (os policiais) sabiam.

iG: A senhora estava em Brasília ou em Porto Alegre?

RMJ: Estava em Brasília, onde minha filha fez uma cirurgia.

iG: A senhora teve outras visões, além da chave que a polícia encontrou em Vicente Pires?

RMJ: Não, querido, não vi a chave. O que eu disse à delegada é que ela teria provas materiais que provariam a vinculação (dos envolvidos no assassinato). Nunca foi frisada a palavra chave.

iG: Que provas materiais são essas?

RMJ: Olha, não posso falar porque está tudo em segredo de Justiça. O meu advogado não teve acesso ao processo todo.

iG: A polícia trabalha com a hipótese de que a senhora plantou a chave na casa de um dos rapazes de Vicente Pires?

RMJ: Não tem como. Eu estava em São Paulo quando aconteceu a história da chave. É uma hipótese que precisa ser aprofundada, pois é comprometedora. Como é que me botaram lá?

iG: Qual foi a participação da senhora?

RMJ: Só fui vidente. Não tive convívio com nada nem com ninguém. Esse processo precisa ser aberto. Uma pessoa diz uma coisa, outra pessoa diz outra.

iG: A senhora conhecia a Adriana Villela, filha do casal assassinado?

RMJ: Não conhecia ninguém, nem ela nem a família. O meu processo foi espiritual. Eu conheço o casal. Quando eu fui na casa deles, eles apareceram. Estão sempre conversando comigo.

iG: O casal assassinado?

RMJ: O casal. Eu vejo os mortos. E não é só ele. Tem pessoas mortas ligadas a ele. Isso para mim não é novidade, nem para quem vê mortos. Para quem não vê, é mais difícil entender a comunicação com os mortos. Na quarta-feira que eu saí (da prisão), eu disse “eu vou ser solta”. A presidiária que estava comigo me olhou e eu disse que a morta (Maria Carvalho) está me agradecendo por eu passar pelo que eu passei mantendo a minha verdade.

iG: O que a senhora conversa com eles?

RMJ: Eles me deram muitas informações, eu não posso falar porque, como te disse, não quero prejudicar a investigação. Mas eles conversam comigo até hoje.

iG: Uma funcionária do Edifício Summer Park, em Brasília, disse à polícia que a senhora teria se hospedado entre 15 outubro a 15 novembro do ano passado no local, onde teria encontrado Adriana.

RMJ: Ela colheu isso. Mas também falaram na investigação que eu tinha conversado com a Villela na casa de uma amiga minha.

iG: E a senhora falou? Confirma que esteve no Summer Park?

RMJ: Estive no Summer Park. Atendi na casa de uma amiga. Mas não falei com essa pessoa (Adriana).

iG: A senhora disse que veio para Brasília pela operação da filha da senhora.

RMJ: Eu vim pela operação. Depois no jornal vi (detalhes do crime).

iG: Há outro caso em que a senhora está atuando agora? Em quantos casos a senhora já atuou?

RMJ: Já atuei em bastante, em cinco ou seis. O único que está correndo é esse aí. Têm muitos casos em que trabalho com a polícia e que não são registrados por (causa do) sigilo. Nunca mais trabalho mais com a polícia do Brasil. A experiência não foi agradável. Tem um livro, “Biorritmo”, de Felipe Porto, que relata que em 1992 estive em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Ajudei a resolver o crime de uma menina de 7 anos, que morreu com 17 facadas.

iG: A senhora tem outras informações que podem ajudar a polícia na solução do crime? Tem intenção de ajudar de alguma forma?

RMJ: Olha, querido, todas as informações estão muito claras. Não trabalho mais com polícia do Brasil. A minha filha que me fez fazer esse juramento na frente do delegado Julião (Ribeiro, que investiga o caso). “Mãe, você ajuda tanto as pessoas e agora está saindo prejudicada. Jura que nunca mais vai trabalhar com polícia”. Esse juramento não vou quebrar.

iG: A polícia fala em uma “ação orquestrada” com a faxineira Guiomar Barbosa. Diz que o filho dela teria se encontrado com a senhora, supostamente instruído por Adriana, para dizer onde estava a chave?

RMJ: Não conheço essa faxineira. O meu processo foi espiritual e continua sendo conversar com os mortos.

iG: A senhora ficou uma semana na prisão. Se arrepende de ter entrado no caso?

RMJ: Não posso me arrepender de uma coisa que lá em cima foi me mandado fazer. Não é o meu querer. Eu não fiz porque quis. Fiz porque tive a ordem “vai e faz isso aí”. Não há arrependimento porque não estou envolvida. Não é uma coisa emocional, racional. É espiritual, energética. Não sou a única que faz esse processo. A polícia americana usa.

iG: O Núcleo de Atividade Paranormal da UnB está para ser fechado. O que acha disso?

RMJ: Fiz parte do núcleo de 1995 até 2003 ou 2004. Depois começou a haver problemas e me afastei. Mas é uma pena. Precisa ter uma reformulação com psicólogos, paranormais. Pessoas sem vínculos religiosos.

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