A Sabesp colocou em teste dois equipamentos que auxiliam no trabalho de identificação de vazamentos. Um deles é uma câmera de inspeção que capta imagens dentro dos canos com uma microcâmera - numa técnica similar ao exame de endoscopia.

Há também medição eletromagnética. A utilização dessa aparelhagem faz parte de um convênio com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). Os novos métodos evitam a quebra do asfalto, a paralisação do trânsito e a suspensão do abastecimento.

Os quase 11 milhões de habitantes de São Paulo consomem, em média, 211 litros de água por dia. O que se perde pelos canos na capital, porém, equivale a mais de 1 milhão de caixas d’água por dia. Um buraco de 2 milímetros de diâmetro na rede, equivalente à cabeça de um prego, desperdiça em torno de 3.200 litros de água/dia - suficientes para o consumo de uma família de quatro pessoas durante cinco dias. Nos últimos 12 meses, os técnicos da Sabesp pesquisaram 36 mil km de rede em toda a Região Metropolitana, identificaram e repararam aproximadamente 30 mil vazamentos - 0,84 por km checado. Mesmo assim, em todo o Estado, um quarto da água produzida acaba perdido antes de chegar às torneiras.

As cidades da Região Metropolitana são consideradas as mais problemáticas pela companhia, por causa da falta de planejamento do uso do solo. Na capital, o centro e alguns bairros da zona sul, por serem mais antigos, têm muitos problemas na rede de abastecimento. Na quarta-feira, por exemplo, a Sabesp abriu um buraco na Rua Boytac, no Itaim-Bibi, zona sul, para detectar um vazamento. Se fosse utilizado o sistema japonês, seria necessário apenas um pequeno orifício - por onde passaria a mangueira com a microcâmera, que identificaria o problema. “Agora há o barulho das britadeiras, a gente fica sem água e quebra toda a rua”, reclama a moradora Adelaide Gomes. “Tem também muita sujeira.” Vizinho de um ponto onde sempre há obras da companhia no Ipiranga (zona sul), José Justino Araújo, da Rua Alencar Araripe, concorda e diz que perdeu a conta de quantas vezes já viu funcionários abrindo crateras na via. “É lama para todo lado. Seria bom que existisse uma maneira de fazer o serviço sem quebrar tudo.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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