Sabesp é acusada de ignorar alerta sobre reservatórios

O Comitê de Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (CB-PCJ), responsável pela gestão do Sistema Cantareira, afirma ter comunicado a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2 de outubro do ano passado sobre a necessidade de fazer descargas nos reservatórios. A reunião aconteceu em Capivari e os alertas foram registrados em ata e áudio, segundo o comitê, que gerencia o sistema e é ligado à Agência Nacional das Águas (ANA).

Agência Estado |

Os técnicos da Câmara de Monitoramento Hidrológico do órgão chegaram à conclusão de que as comportas deveriam liberar água para os Rios Atibaia e Jaguari quando as barragens chegaram a 81%. "Mas eles (Sabesp) optaram por seguir as regras de seus próprios técnicos", afirma o coordenador do comitê, Astor Dias de Andrade.

Com a capacidade de armazenamento esgotada, os dois reservatórios transbordaram na segunda-feira. Inundações causaram a saída de suas casas de milhares de pessoas de Atibaia, Piracaia, Bom Jesus dos Perdões e Bragança Paulista. Desde setembro de 2004, técnicos fazem o monitoramento eletrônico e em tempo real do volume. O comitê é formado por ambientalistas, prefeitos e secretários de 60 municípios paulistas e 4 mineiros.

Normalidade

A Sabesp argumenta que até o início de dezembro a situação era de "normalidade" e afirma não ter recebido o alerta. "Não recebi nenhum documento desse rapaz, nunca vi uma assinatura. Ele devia se preparar antes de falar besteira e fazer alarmismo", disse Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp.

"Em outubro e novembro, o nível do sistema estava em 50%, só foi começar a encher em dezembro. Como íamos descarregar água? Temos a responsabilidade de garantir o abastecimento de 22 milhões de pessoas." Reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo no dia 5 de novembro, indicava que o sistema estava em 80,6% de sua capacidade.

A situação do Cantareira será discutida em reunião hoje em Brasília, na ANA. "Queremos nos colocar à disposição para ajudar. Por isso, convocamos a Sabesp e o Daee (Departamento de Águas e Energia do Estado) para conversar", disse o presidente da agência, Vicente Andreu Guillo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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